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Médico brasileiro separa com sucesso irmãs gêmeas unidas pela cabeça


Uma cirurgia de separação de duas gêmeas siamesas unidas pela cabeça realizado em 2025 em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, teve a participação do neurocirurgião pediátrico brasileiro Gabriel Mufarrej. Após meses de recuperação, elas receberam alta médica e retornaram para casa. 

As irmãs nigerianas nasceram com os crânios unidos e compartilhavam tecidos cerebrais e vasos sanguíneos, uma condição rara conhecida como craniópago. Com 19 meses, elas foram separadas após quatro operações realizadas ao longo de quatro meses. 

Para Gabriel Mufarrej, o caso representa um importante avanço para a neurocirurgia pediátrica mundial. 

“Casos como este exigem meses de planejamento e um nível extraordinário de integração entre diferentes especialidades médicas. Tivemos a oportunidade de aplicar tecnologias avançadas e técnicas inovadoras que contribuíram para tornar o procedimento mais seguro e eficiente. Ver essas crianças recuperadas e ao lado da família é a maior recompensa para toda a equipe envolvida”, afirma o médico. 

O procedimento foi realizado, no ano passado, por uma equipe internacional formada por especialistas do Brasil, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos e Nigéria. Dez neurocirurgiões integraram a equipe principal da operação, que durou mais de 40 horas de centro cirúrgico, e mais de 60 profissionais de saúde de 20 nacionalidades participaram do projeto. 

Houve a participação das médicas Clarice Abreu, cirurgião plástica e Mariana Tonon, anestesista pediátrica, além do neurocirurgião Arun Rajeswaran, responsável pelo acompanhamento das crianças.

Para que a cirurgia fosse realizada com precisão, os especialistas utilizaram recursos de inteligência artificial, modelagem tridimensional do crânio, realidade virtual, realidade aumentada e implantes personalizados desenvolvidos a partir de imagens médicas das pacientes.  

Após o período de recuperação, as irmãs receberam alta médica e retornaram para casa, na Nigéria. O sucesso do procedimento é considerado um marco para a neurocirurgia pediátrica e para o tratamento de gêmeos craniópagos. 

Segundo Mufarrej, o sucesso da operação também demonstra o impacto da colaboração internacional em procedimentos de alta complexidade.  

“Além do desafio cirúrgico, esse caso mostrou como a troca de conhecimento entre equipes de diferentes países pode ampliar as possibilidades de tratamento para pacientes que enfrentam condições extremamente raras. A medicina avança quando experiência, tecnologia e cooperação trabalham juntas”, destaca.

 

*Sob supervisão de Thiago Félix



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