A influenciadora Maya Massafera, 45, usou as redes sociais, no último domingo (30), para se pronunciar após ser hospitalizada para investigar uma suspeita de AVC (Acidente Vascular Cerebral).
No Instagram, Maya explicou que não teve um AVC, mas que o médico ficou preocupado porque o colesterol dela estava muito alto. Ela afirmou que trocou os hormônios que toma e o colesterol já melhorou. “O meu médico ficou preocupado, ele falou: ‘Maya, isso pode ser um AVC, você tem que fazer esse exame urgente‘. Eu fui lá, fiz o exame, não foi nada […] Vim aqui acalmar vocês para vocês não ficarem aflitos até o meu próximo reality”, disse.
Os tratamentos hormonais causam AVC?
O endocrinologista Dr. Wandyk Alisson explica que o tratamento hormonal utilizado durante a transição de gênero pode aumentar o risco de AVC.
“Pode existir uma associação, especialmente com o AVC isquêmico, causado pela obstrução de uma artéria cerebral. Entretanto, seria incorreto afirmar que a terapia hormonal necessariamente causa AVC ou que todos os hormônios, doses e vias de administração apresentam o mesmo risco. Nas mulheres trans, o tratamento geralmente utiliza estradiol, frequentemente associado a um bloqueador de testosterona. O estradiol, principalmente quando utilizado por via oral, em doses elevadas ou acima da faixa fisiológica, pode aumentar a produção hepática de fatores de coagulação. O sinal mais consistente nos estudos é o aumento do risco de trombose venosa e embolia pulmonar. A relação direta com AVC arterial existe como possibilidade, mas permanece menos conclusiva”, ressaltou.
O especialista ainda informa que uma meta-análise publicada em 2024 encontrou incidência de AVC de aproximadamente 1,8% em mulheres trans e de 0,8% em homens trans, com risco relativo cerca de 30% maior em comparação com pessoas cisgênero do mesmo sexo atribuído ao nascimento.
O Dr. Wandyk Alisson aponta que os principais cuidados e acompanhamentos para evitar riscos cardiovasculares são as avaliações individuais antes do início do processo.
“O primeiro passo é realizar uma avaliação individual antes do início da terapia. O médico deve investigar pressão alta, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, enxaqueca com aura, apneia do sono, doenças renais ou hepáticas, trombose anterior, AVC, infarto e histórico familiar de eventos cardiovasculares precoces”, aponta.
O endocrinologista ressalta que a terapia hormonal de afirmação de gênero não deve ser demonizada nem interrompida por conta própria.
“Ela deve ser conduzida como qualquer intervenção médica de longo prazo: com indicação, personalização, monitoramento e correção ativa dos fatores de risco”, indica.
Colesterol alto é indício de AVC?
O endocrinologista explica que o colesterol alto é um fator importante, mas não o único quando o assunto é acidente vascular cerebral: “O colesterol elevado é um fator de risco cardiovascular crônico, mas não confirma, isoladamente, que uma pessoa esteja tendo um AVC. Na suspeita de AVC, o diagnóstico depende dos sintomas neurológicos, do exame médico e de exames de imagem. Também é necessário saber o que realmente estava elevado: LDL; Triglicerídeos; Colesterol não HDL; Apolipoproteína B; Lipoproteína(a)”.
Dr. Wandyk Alisson explica que o LDL e a apolipoproteína B estão diretamente relacionados à formação de placas nas artérias. A lipoproteína(a) é predominantemente genética e pode aumentar o risco mesmo em pessoas que se alimentam bem e praticam atividade física. Já o estradiol oral pode reduzir o LDL em algumas pessoas, mas elevar triglicerídeos devido à sua passagem pelo fígado.
Assim, segundo o médico, o “colesterol alto” não deve ser tratado como um único número. É necessário identificar qual partícula está elevada e qual mecanismo biológico está por trás da alteração.
Dessa forma, o endocrinologista aponta que nem o tratamento hormonal, ou o colesterol comprovam a possibilidade de um AVC. “O caso de Maya não comprova que o tratamento hormonal tenha causado um AVC — inclusive, de acordo com seu próprio relato, o AVC foi descartado. Também não permite afirmar que o hormônio foi a única causa da alteração do colesterol”, afirma.
Como reduzir as possibilidades de um AVC?
A neurologista Carolina Alvarez aponta que uma vida saudável é o principal fator para evitar acidente vascular cerebral, também conhecido como derrame. “Hábitos como não fumar, praticar atividade física, manter uma alimentação equilibrada e controlar pressão alta, diabetes e colesterol ajudam a reduzir o risco cardiovascular”, explicou a neurologista.
Segundo a médica, um possível aumento de risco não significa que a terapia hormonal deva ser evitada. “Com avaliação individualizada e acompanhamento adequado, é possível escolher o tipo, a dose e a via de administração mais apropriados para cada pessoa”, ressalta.
*Sob supervisão de Thiago Félix










