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Mato Grosso produz 70% do etanol de milho do país e projeta novo salto industrial para 2026


Mato Grosso consolidou sua liderança absoluta na produção nacional de etanol de milho ao atingir a marca de 5,6 bilhões de litros na safra 2024/25. O volume impressionante corresponde a cerca de 70% de toda a fabricação brasileira do biocombustível, reforçando o protagonismo do estado na transição energética e na agregação de valor à cadeia produtiva do grão.

O avanço é sustentado por uma robusta estrutura industrial que já conta com 17 usinas em operação, sendo nove unidades dedicadas exclusivamente ao milho e três operando no modelo flex (cana e milho). O cenário aponta para uma mudança estrutural na economia estadual, que deixa de ser apenas uma exportadora de commodities para se tornar um polo de processamento de alta tecnologia.

Incentivos e expansão industrial

Segundo o governador Otaviano Pivetta, o ciclo de transformação econômica acelerou a partir de 2017, com a instalação da primeira planta dedicada ao milho. “O Estado tem feito a sua parte, oferecendo incentivos fiscais e um ambiente jurídico seguro para atrair indústrias. Isso amplia as opções para o produtor vender o milho aqui dentro, agrega valor e gera emprego e renda”, destacou o gestor.

Para a secretária de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman, o setor é hoje um dos principais vetores de crescimento regional. Beckman ressalta que a verticalização da produção integra diretamente a agricultura, a indústria e a geração de energia limpa, criando um ecossistema favorável a novos investimentos.

Projeções e o salto para a safra 2026/27

Os dados apresentados pela União Nacional do Etanol de Milho (Unem) e pela consultoria Datagro indicam que o setor ainda não atingiu seu teto. As projeções para o ciclo 2026/27 estimam que a moagem de milho para biocombustível alcance 26,8 milhões de toneladas, um crescimento superior a 19% em relação aos patamares atuais.

Eduardo Menezes Mota, presidente do conselho da Unem, afirma que o estado se prepara para um novo salto diante da crescente demanda internacional por combustíveis de baixa emissão de carbono. O presidente da Datagro, Plínio Nastari, reforça que a industrialização do grão multiplica o valor da produção: além do etanol, o processo gera subprodutos valiosos, como o DDG e o DDGS (grãos de destilaria utilizados na nutrição animal) e bioeletricidade.

Impacto na Matriz Energética Nacional

A consolidação de Mato Grosso como o “coração da bioenergia” no Brasil posiciona o estado de forma estratégica na matriz energética nacional. Com a ampliação da capacidade instalada e a entrada de novas plantas nos próximos anos, a expectativa é de que o estado reduza a dependência do país de combustíveis fósseis e impulsione a economia circular no campo.

A reportagem, fundamentada nos balanços da Unem e da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT), confirma que o etanol de milho deixou de ser uma alternativa de mercado para se tornar a base de um novo modelo de desenvolvimento industrial sustentável em Mato Grosso.

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