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Mato Grosso cresce, mas desigualdade ainda chega à sala de aula


Reprodução

Mato Grosso vive um ciclo de forte crescimento econômico, mas essa prosperidade ainda não chega de forma igual à educação. Os resultados do Ideb 2025 mostram diferenças importantes entre municípios e reforçam um desafio para o próximo ciclo de gestão: Mato Grosso não pode continuar crescendo sem garantir que uma criança tenha as mesmas oportunidades de aprendizagem independentemente do município onde vive.

No eixo da BR-163, onde o desenvolvimento econômico é mais intenso, Lucas do Rio Verde alcançou 6,9 no Ideb, Sorriso 6,4 e Sinop 6,2. São municípios que também vêm recebendo investimentos em estrutura educacional, como os R$ 9,4 milhões destinados a uma escola em Lucas do Rio Verde, o pacote de R$ 164 milhões em Sorriso e os R$ 7,4 milhões para uma nova unidade escolar em Nova Mutum.

Na Baixada Cuiabana, os números revelam uma realidade mais desigual: Cuiabá marcou 6,1, Chapada dos Guimarães 6,0, Santo Antônio de Leverger 5,3 e Poconé 4,6. A diferença de 2,3 pontos entre os extremos mostra que a qualidade da educação ainda depende, em grande medida, do território onde o estudante está.

O Estado anunciou R$ 478 milhões para investimentos na estrutura das escolas estaduais em 2026, demonstrando capacidade de investimento. O desafio é direcionar esses recursos para onde os problemas são maiores, combinando infraestrutura com ensino em tempo integral, conectividade, materiais pedagógicos, apoio aos estudantes e valorização dos profissionais da educação.

O debate, porém, não pode se limitar à construção de escolas ou à elevação do Ideb. O Sintep-MT alerta que a melhora dos indicadores precisa ser acompanhada de aprendizagem efetiva e chama atenção para políticas que podem elevar as taxas de aprovação sem necessariamente garantir conhecimento ao aluno. Ao que tudo indica, este sempre foi o foco do Governo atual, para sair nas manchetes que Mato Grosso é referência na educação, quando na verdade, não é.  O próximo gestor que assumirá em 2027, portanto, terá o desafio de construir uma política estadual de equidade educacional, concentrando esforços nos municípios mais vulneráveis. O objetivo não deve ser apenas melhorar uma nota, mas garantir que todo estudante tenha condições reais de aprender, permanecer na escola e ter acesso às mesmas oportunidades de futuro. E lembrar que a distribuição do orçamento precisa ser igual.



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