O avanço da proteção ambiental no Brasil atingiu marcas históricas no último ciclo de monitoramento por satélite, mas Mato Grosso continua sob os refletores de um dos maiores dilemas do país: conciliar a liderança no agronegócio com a preservação de seus biomas.
Dados recém-divulgados pelo sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontam que o estado foi o segundo que mais derrubou vegetação nativa na Amazônia Legal entre agosto de 2025 e julho de 2026, com 849 quilômetros quadrados de cobertura vegetal perdidos.
A marca coloca o território mato-grossense como origem de 25,5% de toda a degradação registrada na Amazônia Legal no período — o que significa que um a cada quatro quilômetros quadrados suprimidos na região pertence ao estado. O Pará liderou o ranking com 1.130 km², enquanto o Amazonas figurou em terceiro lugar, somando 525 km².
Ainda assim, o quadro geral da Amazônia é de retratação expressiva: a área destruída caiu 42% no ciclo, totalizando 3.335 km². Trata-se da menor taxa apurada pelo Inpe desde o início do levantamento orbital em 1988, desbancando o recorde anterior fixado em 2012.
Cerrado acompanha ritmo de retração nacional
A tendência de queda nos índices de supressão também alcançou o Cerrado, bioma crucial para a agricultura e pecuária mato-grossense. Em todo o país, a perda de vegetação no Cerrado diminuiu 24%, fechando o período em 5.516 km² — o patamar mais baixo dos últimos 13 anos.
Nesse bioma, a liderança das derrubadas ficou concentrada no trecho nordestino e na área do Matopiba:
Maranhão: 1.718 km²
Tocantins: 1.263 km²
Piauí: 625 km²
Bahia: 489 km²
O Inpe esclarece que a medição inicial divulgada para Mato Grosso (849 km²) abrange exclusivamente o bioma amazônico dentro do estado, sem incluir os recortes locais do Cerrado.
Rigor na fiscalização e incentivo financeiro ao produtor
A retração global do desmatamento — que chega a 71% na Amazônia e 48% no Cerrado entre 2022 e 2026 — é atribuída pelo Ministério do Meio Ambiente à intensificação do combate às ilegalidades. Nos últimos quatro anos, as operações do Ibama resultaram em 76 mil vistorias de campo, R$ 11,8 bilhões em autos de infração e mais de 18 mil quilômetros quadrados de áreas interditadas.
O governo federal destaca, no entanto, que a imensa maioria da produção rural opera em conformidade com as regras do Código Florestal. Imóveis com Cadastro Ambiental Rural (CAR) regularizado foram responsáveis por apenas 1,8% da perda de vegetação no ciclo atual.
Para premiar quem preserva, o Ministério do Meio Ambiente articula descontos adicionais nos juros do crédito rural destinados a produtores que mantêm áreas de conservação acima das exigências legais. Em paralelo, o BNDES aprovou um aporte de R$ 147,6 milhões via Fundo Amazônia para modernizar as ferramentas de inteligência artificial do Inpe, integrando as plataformas Prodes e Deter no rastreamento em tempo real.
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