A Klabin afirmou que a conclusão do maior ciclo de investimentos de sua história deve fortalecer a geração de caixa da companhia nos próximos anos, reduzindo a necessidade de novos aportes em expansão e abrindo espaço para outras formas de alocação de capital.
Em entrevista ao CNN Money, a diretora financeira da Klabin, Gabriela Woge, disse que a empresa entra em uma “fase de colheita” após um período de 10 a 15 anos marcado por investimentos em crescimento da capacidade produtiva.
Em teleconferência de resultados nesta quinta-feira (6), o presidente da companhia, Cristiano Teixeira, afirmou que não deve efetuar grandes aportes a curto e médio prazo.
“A gente não tem mais uma necessidade de investir em expansão, o que de alguma forma alivia a geração de caixa para ser alocada de uma outra forma”, afirmou. Segundo ela, embora a companhia enxergue oportunidades de crescimento para os próximos dez anos, os projetos atualmente em análise ainda não atingem o retorno mínimo exigido pela empresa.
“Não vemos a iminência de um projeto acontecendo agora, a despeito de termos uma visão para os próximos dez anos com algumas avenidas importantes de crescimento, mas que, no momento, não se viabilizam ou não se viabilizam no retorno mínimo que a companhia exige para esses investimentos”, disse.
A executiva ressaltou que a prioridade da companhia continua sendo a alocação de capital que gere maior valor aos acionistas. Nesse contexto, a redução do endividamento permanece como foco.
Segundo Woge, a alavancagem caiu de 3,9 vezes dívida líquida sobre Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), no pico do ciclo de investimentos, para 3,2 vezes nos últimos 12 meses.
“Temos um conforto de alavancagem, do tamanho da dívida e de como ela vence no tempo. Não temos nenhum vencimento importante ou pressão de saída de caixa no curto prazo”, afirmou.
Além da redução da dívida, ela destacou que a empresa já anunciou um programa de recompra de ações e mantém o pagamento recorrente de dividendos.
“Entramos agora em um momento da companhia em que a geração de caixa vai ser muito forte, simplesmente por eu ter atingido praticamente a capacidade plena do investimento que foi feito nos últimos 15 anos e não ter essa necessidade de investir em expansão”, disse.
Diversificação de geografia e produtos
A CFO afirmou que a diversificação do portfólio e da atuação geográfica da Klabin ajudou a companhia a atravessar um cenário de maior volatilidade internacional.
Segundo ela, a valorização do real frente ao dólar afetou o resultado operacional na comparação com o trimestre anterior, devido ao peso das exportações nas receitas da empresa.
“A gente teve uma queda [do lucro líquido] na comparação com o trimestre anterior que tem relação com a apreciação do real, que aconteceu dentro desse período”, afirmou.
Apesar do efeito cambial, Woge avaliou que o desempenho operacional foi positivo.
“À exceção desse efeito do câmbio, nós entendemos que tivemos um trimestre muito forte, onde nossos principais segmentos — papéis, celulose e embalagens — tiveram uma performance muito resiliente dentro desse contexto de maior volatilidade geopolítica”, disse.
Ela afirmou que o mercado de papel-cartão mostrou recuperação da demanda após um período mais fraco, enquanto o papel kraft segue aquecido tanto no mercado externo, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, quanto no Brasil, sustentando reajustes de preços.
Na celulose, a empresa observa estabilidade na fibra curta, com uma tendência levemente negativa em mercados como China e Europa. Segundo a CFO, esse movimento tende a ser compensado pelo desempenho da celulose fluff, segmento considerado menos exposto às oscilações típicas das commodities e que mantém um equilíbrio mais favorável entre oferta e demanda.











