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Justiça marca júri de bióloga por atropelamento com duas mortes em Cuiabá


Quase oito anos após o atropelamento que resultou na morte de dois jovens e deixou uma terceira vítima gravemente ferida, a bióloga Rafaela Screnci será levada a julgamento pelo Tribunal do Júri, em Cuiabá. A decisão foi proferida nesta quarta-feira (29) pela juíza Mônica Perri, da 1ª Vara Criminal da capital, que agendou a sessão para o dia 23 de junho, às 9h.

O caso ocorreu na madrugada de 23 de dezembro de 2018, na Avenida Isaac Póvoas, região central da cidade, em frente à boate Valley. Na ocasião, Rafaela conduzia uma caminhonete Oroch quando atropelou três jovens. Myllena Inocêncio morreu ainda no local, enquanto Ramon Viveiros Alcides chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos após dias internado. Hya Girotto também foi atingida, sofreu lesões graves, mas sobreviveu.

De acordo com as investigações, laudos periciais indicaram que a condutora dirigia sob efeito de álcool, em velocidade acima da permitida e deixou o local sem prestar socorro às vítimas. A perícia também apontou que, apesar de os jovens atravessarem fora da faixa de pedestres, havia possibilidade de evitar o atropelamento.

O processo teve reviravoltas ao longo dos anos. Em decisão anterior, a acusada chegou a afastar a responsabilidade direta pelo ocorrido, com anulação da sentença de pronúncia em primeira instância. No entanto, em 2024, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso reavaliou o conjunto de provas e concluiu que há indícios de dolo eventual, quando se assume o risco de provocar o resultado, determinando que o caso fosse submetido ao Tribunal do Júri.

A defesa de Rafaela recorreu da decisão, alegando irregularidades processuais e sustentando que não há elementos suficientes para caracterizar dolo. Também argumenta que as vítimas contribuíram para o desfecho ao atravessarem fora da faixa. Apesar disso, a Justiça manteve o entendimento de que cabe ao júri popular analisar as circunstâncias e definir a responsabilidade.

O Ministério Público denunciou a bióloga por dois homicídios consumados e um homicídio tentado, todos na modalidade de dolo eventual. O julgamento deverá esclarecer as controvérsias do caso, incluindo a conduta da motorista e as condições em que ocorreu o acidente.

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