O ex-presidente Jair Bolsonaro completou, em 4 de agosto de 2026, um ano sob restrição de liberdade. Durante o Live CNN desta quarta-feira (5), o analista de política Teo Cury relembrou os principais acontecimentos desse período, marcado por condenação, episódios inusitados e sucessivas mudanças no regime de cumprimento da pena.
No dia 4 de agosto de 2025, Bolsonaro foi colocado em prisão domiciliar preventiva por determinação de Alexandre de Moraes. A medida foi decretada após a constatação de que o ex-presidente havia descumprido uma restrição previamente imposta.
No dia anterior à determinação, 3 de agosto, um áudio de Bolsonaro havia sido disponibilizado por seus filhos durante uma manifestação em Copacabana, o que foi interpretado como violação das medidas cautelares.
Naquele momento, a prisão estava relacionada a um processo diferente daquele pelo qual ele seria condenado meses depois.
“O ex-presidente era investigado por coação no curso do processo, naquela investigação sobre uma tentativa de convencimento das autoridades norte-americanas de imposições a sanções e punições a ministros do Supremo Tribunal Federal, capitaneada, de acordo com os investigadores, por Eduardo Bolsonaro”, detalhou Cury.
Tentativa de romper a tornozeleira
Meses após a prisão domiciliar, no dia 11 de setembro, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, além de outros quatro crimes.
Na madrugada do dia 22 de novembro, ocorreu um episódio que agravou ainda mais sua situação: Bolsonaro tentou romper a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda. A defesa alegou que o uso de medicamentos teria levado o ex-presidente a cometer o ato.
Como consequência, Alexandre de Moraes revogou a prisão domiciliar e determinou a transferência de Bolsonaro para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Três dias depois, em 25 de novembro, o processo transitou em julgado. “Ou seja, a ação penal da trama golpista foi concluída. Sem mais recursos, a condenação é iniciada”, explicou Cury.
Internações, transferência e retorno para casa
Em 25 e 29 de dezembro, Bolsonaro passou por duas cirurgias, a primeira relacionada à correção de uma hérnia inguinal bilateral, e a segunda para tentar conter as crises de soluço que o ex-presidente enfrentava.
“Também houve uma série de complicações no quadro de saúde por conta da facada de 2018, e a defesa insistia que ele voltasse para casa”, relembrou o analista.
Em 15 de janeiro de 2026, Alexandre de Moraes autorizou a transferência do ex-presidente da Superintendência da Polícia Federal para a Papudinha, onde ele passou a contar com assistência médica de diversas especialidades, 24 horas por dia, e ainda podia receber visitas de políticos.
Em 24 de março, Moraes autorizou uma prisão domiciliar temporária, por um período de 90 dias, e Bolsonaro foi autorizado a retornar para casa. “A partir desse momento, nada de visitas de políticos e conversas com teor político”, observou Cury.
Situação atual
No dia 3 de julho de 2026, Alexandre de Moraes manteve a prisão domiciliar de Bolsonaro por tempo indeterminado, condicionando o retorno à prisão fechada a qualquer eventual descumprimento das restrições.
Na terça-feira (5), véspera do primeiro aniversário da prisão, o ministro concedeu prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República se manifestasse sobre um pedido feito pela defesa: a revogação das restrições que impedem visitas, como a de Flávio Bolsonaro, e a participação em manifestações político-eleitorais.











