David Sánchez, irmão do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, foi condenado, nesta terça-feira (14), por improbidade administrativa e proibido de exercer cargos públicos por nove anos.
O caso está relacionado à sua nomeação para um alto cargo na área cultural pelo governo providencial de Badajoz, no sudoeste da Espanha, em 2017.
A decisão representa um novo golpe político para o primeiro-ministro socialista, cujo governo e pessoas mais próximas têm enfrentado uma série de investigações e escândalos de corrupção nos últimos dois anos.
No mês passado, um ex-assessor próximo de Sánchez foi condenado a 24 anos de prisão em um caso de corrupção distinto.
David foi acusado de se beneficiar de uma nomeação feita sob medida para ele, devido à sua ligação familiar com o primeiro-ministro, que, à época da concessão do cargo, havia acabado de ser eleito líder do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), quando ainda estava na oposição.
O primeiro-ministro rejeitou as acusações classificando-as como parte de uma campanha politicamente motivada e impulsionada pela direita.
O tribunal de Badajoz concluiu que o cargo atribuído a Sánchez, responsável pela supervisão dos conservatórios de música da província, foi criado sem qualquer necessidade administrativa real e atendia, na verdade, aos seus interesses pessoais.
A corte rejeitou a acusação de tráfico de influência, que poderia ter acarretado em pena de prisão. Grupos de direita pressionaram pela prisão de Sánchez, enquanto a promotoria solicitou o arquivamento do caso.
David Sánchez negou ter cometido qualquer irregularidade durante o julgamento. Ele ainda pode recorrer da decisão.
Ester Muñoz, porta-voz do opositor PP (Partido Popular), afirmou que a renúncia de Pedro Sánchez já deveria ter acontecido há muito tempo, argumentando que, embora o tribunal não tenha constatado que o primeiro-ministro influenciou a decisão da contratação, era uma coincidência grande demais o fato de ter sido criado um cargo sob medida para seu irmão.
A porta-voz do governo, Elma Saiz, disse a jornalistas que Madri respeitava o processo judicial e estava confiante de que instâncias superiores acabariam por inocentar David Sánchez.
Gabriel Rufián, porta-voz do partido independentista catalão ERC e aliado do governo de minoria de Sánchez, classificou a proibição como excessiva.











