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Irã acusa EUA de violar cessar-fogo em meio a negociações de paz


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convocou uma reunião de gabinete na Casa Branca para esta quarta-feira (27), em meio ao avanço das negociações entre Washington e Teerã para transformar o atual cessar-fogo em um acordo mais duradouro no Oriente Médio.

Apesar dos sinais de aproximação, divergências sobre a redação envolvendo o programa nuclear iraniano e o alívio de sanções ainda travam um entendimento definitivo. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que os impasses se concentram em “uma palavra, uma frase”.

As negociações ganharam novo fôlego após autoridades iranianas retornarem de Doha, no Catar, nesta terça-feira (26), depois do que Teerã classificou como “intensas negociações”. O processo diplomático vem sendo mediado pelo Paquistão.

Ao mesmo tempo, o Irã acusou os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo e de realizarem ataques contra navios mercantes iranianos. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores iraniano afirmou que Washington continuou promovendo “ações ilegais e injustas” desde o anúncio da trégua.

Segundo Teerã, os EUA também teriam cometido “numerosos roubos marítimos” e realizado ataques na região de Hormozgan, no sul iraniano, nas últimas 28 horas. A área abriga parte do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.

Na segunda-feira (25), o Centcom (Comando Central dos EUA) confirmou que forças americanas realizaram “ataques de autodefesa” contra locais de lançamento de mísseis e embarcações iranianas próximos ao estreito.

“As forças americanas realizaram ataques de autodefesa no sul do Irã hoje para proteger nossas tropas das ameaças representadas pelas forças iranianas”, afirmou o porta-voz do Centcom, Timothy Hawkins.

O governo iraniano classificou as ações como prova de “engano e traição” por parte dos Estados Unidos durante o processo diplomático em andamento e afirmou que não deixará “nenhum ato de agressão sem resposta”.

Mesmo diante das tensões, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã informou que 25 embarcações, incluindo petroleiros, atravessaram o Estreito de Ormuz no último dia após coordenação de segurança com a Marinha iraniana.

No cenário interno iraniano, o acesso à internet começou a ser parcialmente restaurado após o presidente Masoud Pezeshkian ordenar a retomada dos serviços. Segundo o grupo de monitoramento NetBlocks, a conexão ainda não voltou completamente ao normal.

Enquanto isso, o conflito no Líbano voltou a se intensificar. O Ministério da Saúde libanês informou que ataques aéreos israelenses mataram 31 pessoas e feriram outras 40 nesta terça-feira, em um dos dias mais letais desde o início do cessar-fogo no país, em abril.

Segundo autoridades libanesas, entre as vítimas há mulheres e crianças. O governo acusou Israel de promover “uma série de massacres” em diferentes regiões do sul do Líbano.

As Forças de Defesa de Israel afirmaram que continuam atacando “terroristas e infraestrutura do Hezbollah” e disseram que militares eliminaram integrantes do grupo que preparavam ataques contra tropas israelenses.

Fontes de segurança do Líbano relataram mais de 120 bombardeios israelenses ao longo do dia, aumentando a pressão sobre a já frágil trégua vigente desde 16 de abril.

Parte dos ataques ocorreu próxima ao Castelo de Beaufort, fortaleza medieval de quase 900 anos considerada um dos castelos mais preservados da região pela Unesco. Bombardeios também atingiram áreas próximas à represa de Qaraoun, o maior reservatório de água do Líbano.

Além dos ataques aéreos, Israel ampliou as operações terrestres no sul libanês. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que as tropas israelenses “estão operando com grandes forças em campo e capturando e controlando áreas”.

(Com informações de Maureen Chowdhury e Mohammed Tawfeeq, da CNN)



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