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Incêndio em reator deve afetar produção de remédios para câncer de próstata


O incêndio registrado na sala de controle do reator nuclear de pesquisa IEA-R1, no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), em São Paulo, pode ter consequências diretas para o tratamento de câncer no Brasil. A instalação é a única no país responsável pela produção de lutécio-177, radioisótopo utilizado em terapias contra câncer de próstata e tumores neuroendócrinos.

Em entrevista à CNN, o presidente da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), Alessandro Facure, afirmou que o reator deverá permanecer fora de operação por prazo indeterminado, o que pode comprometer o abastecimento do insumo no país. Segundo ele, a instalação também era utilizada para pesquisas científicas.

“Este reator produzia lutécio-177 para tratamento de câncer. Com este evento, o reator ficará parado até que se comprove que as condições estão seguras para o retorno”, disse Facure.

Ou seja, mais um impacto no tratamento de pacientes oncológicos, já que com a interrupção, o Brasil passará a depender integralmente da importação do radiofármaco, cenário que pode elevar custos, reduzir a disponibilidade e afetar a continuidade de tratamentos.

O problema da importação é que o tempo de viagem faz esses medicamentos perderem parte da eficácia. A corrida contra o relógio se deve à chamada “meia-vida”. Os radioisótopos têm um comportamento físico específico: eles se degradam rapidamente. A “meia-vida” é o tempo para que metade de uma substância radioativa se desintegre.

O IEA-R1 é o maior reator de pesquisa em operação no país e uma das principais instalações responsáveis pela produção de radioisótopos para uso médico. A Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) possui outros três reatores de pesquisa, mas nenhum com capacidade de produzir lutécio-177.

Surpresa no setor

O caso gerou surpresa entre especialistas do setor, já que o reator estava parado desde novembro de 2025, o que levanta questionamentos sobre as condições da instalação e os protocolos de segurança adotados.

O incidente ocorreu nos dias 24 e 25 de março e está sob investigação da ANSN. Segundo a autoridade, houve um incêndio localizado que atingiu racks e cabeamento da sala de controle, sem risco radiológico. Já o Ipen, vinculado à Cnen, apresentou versão divergente, afirmando que não houve incêndio, mas apenas a presença de fumaça densa no ambiente.

Apesar da ausência de risco nuclear, a ANSN apontou preocupações relacionadas à segurança ocupacional, especialmente pela possível inalação de resíduos químicos e fuligem. A retomada das atividades dependerá de uma limpeza industrial especializada e de novas avaliações técnicas.

O Ipen é uma unidade técnico-científica da Cnen (Comissão Nacional de Energia Nuclear). Procurado para tratar deste assunto, o órgão não retornou contato até o fechamento.



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