A produção agrícola de Mato Grosso e as perspectivas para o campo foram detalhadas durante a palestra “Imea em Campo”, apresentada pelo analista do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Henrique Eggers, na última semana, durante a 17ª edição da Parecis SuperAgro, em Campo Novo do Parecis.
O levantamento faz parte do projeto Imea em Campo, desenvolvido em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e o Instituto Mato-grossense de Agronegócio (Iagro), com o objetivo de avaliar, diretamente nas lavouras, o desempenho das principais culturas do estado.
Cobertura ampla e dados robustos
Considerada uma das edições mais completas do projeto, a análise deste ano contou com 71 dias de campo, mais de 34,8 mil quilômetros percorridos, 998 avaliações realizadas e visitas a 103 municípios. O estudo abrangeu 97,92% da área de soja cultivada em Mato Grosso na safra 2025/26.
Durante o trabalho, foram analisados indicadores como população de plantas, número de vagens, grãos por planta, peso e umidade, além da incidência de pragas, doenças e grãos avariados.
Produção recorde de soja
Com base nesses dados, o Imea estima que Mato Grosso deve alcançar uma produção recorde de soja, com 51,56 milhões de toneladas. A área plantada foi projetada em 13,013 milhões de hectares, com produtividade média de 66,03 sacas por hectare.
Apesar de a produtividade ficar ligeiramente abaixo do recorde do ciclo anterior, o crescimento da área cultivada garantiu o maior volume já registrado no estado. Na safra passada, foram colhidas 50,89 milhões de toneladas, com produtividade de 66,29 sacas por hectare.
Desafios climáticos impactaram lavouras
O ciclo produtivo, no entanto, não foi isento de desafios. Segundo o analista, houve déficit hídrico no início do plantio em algumas regiões e excesso de chuvas na fase final, o que comprometeu o peso dos grãos.
Outro ponto de atenção foi o aumento de lavouras com grãos avariados, que cresceram 3,4% em relação à safra anterior, impactando diretamente o rendimento final.
Milho segunda safra preocupa
Para o milho de segunda safra, o cenário exige cautela. O excesso de chuvas em fevereiro atrasou a colheita da soja e, consequentemente, o plantio do cereal. Segundo o Imea, cerca de 1,17 milhão de hectares foram semeados fora da janela ideal, acima do registrado no ciclo anterior.
A estimativa atual aponta área de 7,39 milhões de hectares, com produtividade média de 116,6 sacas por hectare e produção projetada em 51,72 milhões de toneladas. No entanto, o desempenho final ainda dependerá das condições climáticas nas próximas semanas.
Custos em alta e rentabilidade pressionada
Além das variáveis climáticas, o produtor também enfrenta aumento nos custos de produção. Para a safra 2026/27, o custo total da soja está estimado em R$ 8.037,13 por hectare, alta de 4,70%. Já para o milho, o valor previsto é de R$ 7.303,96 por hectare, com avanço de 8,59%.
O cenário, segundo o Imea, aponta para uma rentabilidade mais apertada, agravada pelas incertezas climáticas, especialmente com a possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño, que pode provocar irregularidade nas chuvas e elevar os riscos para a produção.
Diante desse contexto, o produtor mato-grossense segue atento, equilibrando decisões entre custo, clima e mercado para garantir a sustentabilidade da próxima safra.
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