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Hipótese de assassinato de JK não pode ser ignorada, diz neta


Anna Christina Kubitschek, presidente do Memorial JK e neta do ex-presidente Juscelino Kubitschek, disse em comunicado obtido pela CNN Brasil que a hipótese de assassinato do avô por uma “ação do Estado” não pode ser ignorada. Para ela, a reabertura do debate “representa um passo importante para a verdade histórica no Brasil.”

O pronunciamento ocorreu após a CEMDP (Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos) elaborar um relatório apontando que ele teria sido vítima de um assassinato — e não de um acidente envolvendo um Opala e um ônibus, que acarretou na morte do parlamentar e do motorista Geraldo Ribeiro, em 22 de agosto de 1976, durante a ditadura militar.

A neta relembrou que recebeu a notícia de morte do avô uma semana antes do ocorrido. “Estava ao lado de minha mãe Márcia, no Rio de Janeiro, quando recebemos a notícia da morte de meu avô em um acidente automobilístico, o que, incrivelmente, ocorreria uma semana depois”, relembrou.

Para ela, os elementos reunidos ao longo dos anos sobre as circunstâncias da morte de JK “indicam que o fato não pode ser analisado isoladamente do contexto político da época.”

“Juscelino era uma das maiores lideranças civis do País, cassado pelo regime militar, perseguido politicamente e figura central da Frente Ampla em defesa da redemocratização. Em meio à repressão sistemática promovida na América do Sul, não é possível ignorar a hipótese de que ele tenha sido alvo de uma ação de Estado”, completou.

Segundo a nota, a família considera fundamental que o Brasil “enfrente sua história com coragem e transparência”. “Caso a CEMDP conclua oficialmente que JK foi vítima de um atentado político, será um reconhecimento histórico necessário — não apenas para sua memória, mas para todas as vítimas da violência do Estado”, finalizou a neta.

A CNN Brasil tentou contato com a equipe do Memorial JK, mas ainda aguarda retorno.

Novo relatório

O documento da CEMDP revisa os eventos da morte de Juscelino e diz que, na verdade, ele foi assassinado. Detalhes da nova investigação, da relatora Maria Cecília Adão, não foram revelados. Segundo o Ministério dos Direitos Humanos, o estudo está em processo de avaliação.

“As decisões sobre o reconhecimento ou não de desaparecidos políticos são votadas em reuniões da CEMDP e aprovadas por maioria simples, conforme previsto em seu regimento. Ressalta-se que o relatório em questão está em análise pelos membros e não foi votado até o momento”, diz nota da equipe do ministério dos Direitos Humanos enviada à CNN Brasil.

O contexto brasileiro da ditadura militar levou Juscelino a ser considerado perseguido pelo regime. Na época, Castello Branco cassou seus direitos políticos por cerca de dez anos. Um dos motivos apontados se dava pela popularidade do ex-presidente, que era o favorito a assumir a chefia do Executivo em 1965 — aproximadamente um ano depois do golpe de 1964.

À CNN Brasil, Maria Cecília encaminhou uma nota da CEMDP explicando que “tem trabalhado de forma articulada com pesquisadores do tema a fim de oferecer um relatório sobre o caso”.

E completa: “Diante do extenso número de documentos para análise e da necessidade de dar conhecimento aos familiares sobre o conteúdo das apurações, deliberou-se que a votação ocorreria depois do contato com as famílias.”

Comissões divergiram sobre o caso

Em dezembro de 2013, a Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog, da Câmara de São Paulo, chegou à conclusão de que JK e Geraldo Ribeiro foram vítimas de “conspiração, complô e atentado político“.

Intitulado “Relatório JK”, o documento elaborado pelo colegiado apontou que o motorista de Juscelino teria perdido o controle do Opala depois de ser atingido por um tiro na cabeça.

À comissão, o motorista do caminhão atingido pelo Chevrolet de JK relatou ter visto Geraldo Ribeiro “com a cabeça caída entre o volante e a porta do automóvel”.

No entanto, em 2014, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) — instituída anos antes pela então presidente Dilma Rousseff (PT) — contrariou a tese defendida pela cogênere paulistana.

“Não há documentos, laudos e fotografias trazidos para a presente análise, qualquer elemento material que, sequer, sugira que o ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira e Geraldo Ribeiro tenham sido assassinados, vítimas de homicídio doloso”, diz trecho do relatório da CNV.

A investigação conduzida pelos integrantes da comissão analisou, inclusive, um fragmento metálico encontrado no crânio de Geraldo Ribeiro durante exumação feita em 1996. Apesar disso, a apuração constatou que o vestígio correspondia a um cravo metálico utilizado para fixar o revestimento do caixão do motorista.

No início do ano passado, o governo federal e a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) decidiram reabrir a investigação do episódio.

Veja a nota completa de Anna Christina Kubitschek:

“A reabertura do debate sobre a morte de meu avô Juscelino representa um passo importante para a verdade histórica no Brasil. Durante décadas, prevaleceu a versão de que JK teria sido vítima de um acidente automobilístico. No entanto, novas investigações, perícias independentes e relatórios produzidos por comissões da verdade estaduais, pelo Ministério Público Federal e agora pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) apontam graves inconsistências nessa narrativa.

Uma semana antes da tragédia, estava ao lado de minha mãe Márcia, no Rio de Janeiro, quando recebemos a notícia da morte de meu avô em um acidente automobilístico, o que, incrivelmente, ocorreria uma semana depois.

Portanto, os elementos reunidos ao longo dos anos indicam que o fato não pode ser analisado isoladamente do contexto político da época. Juscelino era uma das maiores lideranças civis do País, cassado pelo regime militar, perseguido politicamente e figura central da Frente Ampla em defesa da redemocratização. Em meio à repressão sistemática promovida na América do Sul, não é possível ignorar a hipótese de que ele tenha sido alvo de uma ação de Estado.

A família considera fundamental que o Brasil enfrente sua história com coragem e transparência. Caso a CEMDP conclua oficialmente que JK foi vítima de um atentado político, será um reconhecimento histórico necessário — não apenas para sua memória, mas para todas as vítimas da violência do Estado.

Esclareço ainda que hoje recebi o ofício da comissão e tomarei conhecimento integral do material encaminhado.

Anna Christina Kubitschek, presidente do Memorial JK e neta de Juscelino Kubitschek”



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