O escritor e economista Eduardo Giannetti avaliou que a hiperglobalização atravessa uma fase de esgotamento, marcada por tensões geopolíticas, guerras tarifárias e fragilidade nas cadeias produtivas internacionais. A análise foi apresentada em entrevista à TV Brasil, prevista para ir ao ar no Repórter Brasil, nas edições de segunda-feira (27) e terça-feira (28).
Segundo Giannetti, a concentração global de fornecedores em setores estratégicos evidenciou riscos relevantes. Ele citou como exemplo o mercado de semicondutores, no qual Taiwan responde por grande parte da produção de chips avançados. Para o economista, empresas e países passaram a priorizar diversificação e segurança, substituindo a antiga lógica focada apenas em custo baixo e eficiência.
Financeirização da economia
Giannetti também relacionou o enfraquecimento da hiperglobalização a eventos como a crise financeira de 2008 e a pandemia de Covid-19. De acordo com ele, houve forte expansão dos ativos financeiros em relação à economia real nas últimas décadas.
O economista destacou ainda a valorização expressiva das bolsas americanas entre 2022 e 2026, concentrada em grandes empresas de tecnologia e inteligência artificial.
Impactos sociais no Ocidente
Na avaliação de Giannetti, um dos principais marcos desse período foi a entrada de milhões de trabalhadores asiáticos no mercado global, especialmente em países como China, Índia, Vietnã e Indonésia. O movimento elevou renda e urbanização nessas regiões, mas reduziu o poder de barganha de trabalhadores em economias ocidentais.
Para ele, esse processo contribuiu para instabilidade política e social em países desenvolvidos, além de alimentar movimentos nacionalistas e populistas em diversas partes do mundo.
Oportunidade para o Brasil
Com a reorganização da economia mundial, Giannetti afirmou que o Brasil pode ocupar posição estratégica. O país reúne recursos naturais, energia, biodiversidade, alimentos e minerais críticos, itens considerados essenciais na nova etapa da economia global.
Ele defendeu, no entanto, que o país avance na industrialização desses ativos, evitando depender apenas da exportação de produtos primários sem agregação de valor.
Mudanças climáticas
Giannetti também classificou as mudanças climáticas como a principal ameaça à humanidade no século 21. Segundo ele, a frequência crescente de eventos extremos mostra que o problema não pode mais ser ignorado.
Para o economista, a resposta pode ocorrer por meio de medidas preventivas, com custos menores, ou de forma tardia, quando os impactos forem mais severos e caros de enfrentar.
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