A retomada dos conflitos no Oriente Médio voltou a pressionar os mercados globais, com impactos que vão muito além da alta do petróleo.
Em entrevista ao CNN Money, Fernando Camargo, da LCA Consultores, avaliou os efeitos econômicos da instabilidade na região e alertou que diferentes setores da economia mundial podem ser afetados.
Segundo Camargo, embora o barril de petróleo tenha subido de patamares inferiores a US$ 70 para níveis acima de US$ 80 e US$ 85, o Brasil tem conseguido, até o momento, evitar que esse aumento seja integralmente repassado aos consumidores.
“Nos últimos meses, apesar das altas do petróleo, o preço dos combustíveis aqui no Brasil foi contido”, afirmou. De acordo com o economista, medidas como reduções de impostos, subvenções e a estratégia das empresas de absorver parte dos custos nas margens têm ajudado a amortecer essas pressões.
Os efeitos do conflito, no entanto, vão além dos combustíveis. Camargo explicou que as restrições à navegação pelo Estreito de Ormuz elevaram os custos dos seguros marítimos e dos fretes internacionais.
“A indisponibilidade das embarcações, elas não podem passar pelo Estreito de Ormuz, ficam paradas por mais tempo do que o necessário”, disse. Como consequência, há redução da oferta de navios, aumento das diárias de fretamento e maior volatilidade nos preços. “Não é só combustível, mas pega por todo o entorno”, ressaltou.
Sobre os impactos na política monetária, Camargo avalia que ainda é cedo para afirmar que o cenário será suficiente para alterar a atuação dos bancos centrais, incluindo o Copom (Comitê de Política Monetária). Ele lembrou que, em junho, os combustíveis registraram queda média de 0,48% no Brasil e destacou que o aumento da mistura de etanol na gasolina para 32% também contribui para reduzir pressões inflacionárias.
Ainda assim, fez um alerta: “Se isso se prolonga por mais um mês, começam a acender novamente as luzes amarelas ou vermelhas até sobre o comportamento dos preços para o segundo semestre”.
Ao analisar os impactos para o Brasil, Camargo considera que os riscos superam os possíveis benefícios. “Diria que riscos, porque hoje a inflação é um dos temas mais delicados na agenda, inclusive pelos reflexos políticos”, afirmou.
Embora reconheça que o país possa ser beneficiado pontualmente pela valorização das commodities e ampliar exportações, especialmente para a China, ele destaca que a maior preocupação é a imprevisibilidade do conflito.
“Tudo que foge da racionalidade se torna imprevisível”, concluiu, ressaltando que esse fator aumenta as chances de uma crise mais longa e de efeitos econômicos mais duradouros.











