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Grupo suspeito de falsificar remédios contra câncer é alvo de ação no RS


Um homem foi preso em flagrante em São Gabriel (RS), nesta segunda-feira (30), suspeito de integrar um esquema de fraude em orçamentos e falsificação de remédios destinados a pacientes com câncer. A Polícia Civil informou que 39 vítimas já foram identificadas, entre elas pessoas que morreram durante tratamento.

De acordo com a investigação, o grupo manipulava processos judiciais destinados à compra de medicamentos de alto custo. Os criminosos utilizavam empresas vinculadas entre si para simular concorrência em orçamentos apresentados ao Poder Judiciário, direcionando contratações e elevando artificialmente os valores pagos com recursos públicos.

Também foram identificados indícios de empresas de fachada e, em situações mais graves, a circulação de medicamentos de alto valor com suspeita de adulteração e falsificação.

A organização investigada foi alvo da Operação Placebo, na qual foram cumpridos 57 mandados de busca e apreensão nas cidades gaúchas de São Gabriel, Rosário do Sul, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, Sapiranga, Campo Bom, Canoas, Taquara, Porto Alegre, Gravataí, Tramandaí. Além disso, também houve diligências em outros quatro estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás.

O homem preso é um dos principais investigados. Na casa dele, a polícia localizou diversas caixas de medicamentos com indícios de adulteração e falsificação.

Investigação

A investigação teve início após uma profissional da área farmacêutica identificar inconsistências em um medicamento utilizado no tratamento de câncer, incluindo divergências nas embalagens e características incompatíveis com os produtos originais.

As apurações revelaram que o grupo continha diferentes núcleos, responsáveis pela captação de pacientes, encaminhamento para demandas judiciais e operacionalização das vendas. Por determinação judicial, foi decretado o bloqueio de bens e valores dos investigados, avaliados em cerca de R$ 2,5 milhões.

Segundo o delegado Daniel Severo, o levantamento dos resultados da operação segue em andamento.

“Considerando que as ordens judiciais foram cumpridas simultaneamente em 11 municípios gaúchos e em mais quatro estados brasileiros, ainda está sendo realizado o inventário completo do material arrecadado pelas equipes. Neste momento, não é possível precisar o montante total de bens, valores e medicamentos apreendidos, mas o volume recolhido durante as diligências é expressivo e será objeto de análise detalhada nos próximos dias.”

A Polícia Civil prossegue com a análise do material apreendido e não descarta a identificação de novos envolvidos, novas vítimas e outras frentes de atuação da organização criminosa.



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