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Governo acena a agro e jovens no Desenrola em disputa de base com Flávio


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou nesta segunda-feira (4) o Desenrola 2.0, nova versão do programa de renegociação de dívidas, ampliando o alcance da iniciativa com acenos a públicos estratégicos como agricultores familiares e jovens endividados pelo Fies.

A reformulação ocorre em meio à disputa política por esses eleitores com o senador Flávio Bolsonaro (PL), que tem criticado a medida. Nas últimas semanas, tanto Lula quanto Flávio têm investido em vídeos e discursos direcionados aos jovens, inclusive com incentivos a emitirem o título eleitoral. Paralelamente, eles também têm reforçado a presença em feiras agropecuárias — no caso de Lula, por meio de aliados.

Historicamente, nos últimos anos, o agro tem se mostrado mais de direita. Ao mesmo tempo, o eleitorado jovem tem se distanciado de Lula. Para o Planalto, o afastamento de adolescentes em parte se dá por serem novos demais ou nem nascidos quando Lula foi presidente nos mandatos anteriores. Portanto, busca reverter a situação.

A previsão é que o Desenrola 2.0 tenha duração de 90 dias, terminando poucas semanas antes do início oficial da campanha eleitoral.

A pauta já aparece nas discussões das pré-campanhas, com impacto potencial sobre o eleitorado beneficiado pelo programa. Flávio Bolsonaro considera a medida como eleitoreira e atribui o endividamento da população ao aumento dos gastos públicos e à alta dos juros, por exemplo.

Segundo o governo, o programa será dividido em cinco frentes: famílias, estudantes, aposentados e pensionistas, agricultores familiares e micro e pequenas empresas — grupos que, em geral, enfrentam maior dificuldade para quitar dívidas, muitas vezes de baixo valor, mas que escalam rapidamente com juros.

A iniciativa prevê descontos maciços sobre o valor devido, redução de juros e a possibilidade de uso de parte do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para quitar débitos.

Estudantes com dívidas do Fies poderão ter descontos de até 99% do valor devido, a depender da situação. A expectativa é de que, ao todo, mais de um milhão de estudantes sejam beneficiados.

Agricultores familiares também entram no programa, em um gesto que amplia o diálogo do governo com o setor do agronegócio. A medida prorroga o prazo para renegociação de dívidas até 20 de dezembro de 2026.

Segundo o governo, iniciativa semelhante anterior já beneficiou cerca de 507 mil produtores. Agora, pode chegar a mais 800 mil agricultores, afirma.

O lançamento ocorre em um cenário de alto endividamento das famílias brasileiras, com renda comprometida e juros elevados. Outras medidas do governo, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, ainda não tiveram impacto significativo na avaliação popular, apontam pesquisas.



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