A manhã desta quinta-feira, 7 de maio, marcou o início oficial da 5ª Festa do Milho em Lucas do Rio Verde. O coquetel de abertura, realizado no Auditório dos Pioneiros, reuniu autoridades, representantes do setor produtivo, patrocinadores e lideranças locais em um momento que misturou celebração, memória e projeção de futuro. Entre discursos e encontros, o evento também trouxe uma prévia do que o público encontrará no fim de semana: sabores, cultura e a valorização de um dos pilares da economia local.
Logo nas primeiras falas, ficou evidente que a festa vai além do entretenimento. Para o presidente da Câmara, Airton Callai, investir em cultura é também investir no desenvolvimento da cidade. Em um discurso marcado por reflexões sobre o crescimento de Lucas do Rio Verde, ele destacou que o município se constrói com planejamento e visão de longo prazo. “Prefeito que investe em cultura não joga dinheiro fora”, afirmou, ao reforçar que iniciativas como a Festa do Milho ajudam a consolidar a identidade local e aproximar a população.
Milho como motor de transformação
O prefeito Miguel Vaz conduziu uma fala que conectou passado, presente e futuro. Ao lembrar o início da produção de milho no município, ainda no final dos anos 80 e início dos anos 90, ele destacou o salto impressionante que a cultura proporcionou à economia local.
Hoje, Lucas do Rio Verde produz mais de 1,2 milhão de toneladas de milho, mas processa cerca de 2,4 milhões de toneladas, importando o restante de outras regiões. “Se eu fosse resumir o milho em uma palavra, eu diria: oportunidade”, afirmou o prefeito, ao destacar o papel do grão na geração de emprego, renda e desenvolvimento industrial.
Miguel também enfatizou o protagonismo do município no avanço da cadeia do milho, incluindo a implantação de indústrias de etanol e coprodutos, que ampliaram o valor agregado da produção. “É uma riqueza relativamente nova, mas que transformou completamente a nossa economia”, disse.
Crescimento que se traduz em números
A dimensão dessa transformação também foi reforçada por representantes do setor produtivo. O representante do Sicredi, Kleidson Oliveira, trouxe um recorte histórico que ajuda a dimensionar o avanço: em 2006, a produção girava em torno de 600 mil toneladas e movimentava cerca de R$ 100 milhões. Hoje, ultrapassa 1 milhão de toneladas e gera mais de R$ 1 bilhão na economia local.
“Em 20 anos, crescemos mais de dez vezes”, resumiu, ao destacar que o milho se tornou uma verdadeira locomotiva econômica para o município.
A análise é reforçada por Rodrigo Pasqualli, diretor executivo da Fundação Rio Verde, que lembrou que o milho deixou de ser visto como “safrinha” para assumir protagonismo. “Hoje, ele talvez seja até mais expressivo que a própria soja em termos de impacto econômico na comunidade”, afirmou.
Da lavoura à cultura popular
Se o milho é base econômica, a Festa do Milho mostra como ele também se transforma em expressão cultural. A secretária de Cultura e Turismo, Luciana Bauer, destacou que o evento vem ganhando consistência ao longo dos anos e se consolidando como um espaço de inovação gastronômica e integração social.
Mais de 20 empresas e associações estarão envolvidas na praça de alimentação, desenvolvendo pratos à base de milho especialmente para o evento. “A festa celebra a gastronomia do nosso município e desenvolve tecnologia alimentar ano após ano”, pontuou.
Ela também ressaltou o cuidado com a sustentabilidade e a organização do evento, que contará com equipes capacitadas e uma programação pensada para diferentes públicos, desde famílias até quem busca os shows e atrações principais.
Uma festa que conecta pessoas
Além da economia e da cultura, o evento também carrega um forte papel social. Para Callai, a festa é uma oportunidade de reconectar as pessoas em meio à rotina acelerada. “É fazer com que as pessoas saiam de casa, se encontrem, aproveitem mais a vida”, disse.
A programação da 5ª Festa do Milho acontece neste sábado e domingo, com shows nacionais, apresentações culturais, exposição de máquinas, atividades para crianças e o tradicional festival gastronômico. Entre as atrações mais descontraídas, desafios como o concurso de quem come mais espigas em poucos minutos prometem arrancar risadas do público.
No fim das contas, a Festa do Milho sintetiza o que Lucas do Rio Verde construiu nas últimas décadas: uma economia forte, baseada na produção, mas que também valoriza cultura, inovação e comunidade. Como resumiu o gerente executivo industrial da FS, Antônio Pereira Júnior, um dos participantes do evento, “o milho pode até ser o protagonista — mas o verdadeiro destaque é a capacidade da cidade de transformar produção em identidade”.
Google Notícias
Siga o CenárioMT
Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.

