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EUA querem expor que aliança com Venezuela está mais forte, diz professora


A tragédia que devastou a Venezuela, com um número de mortos que já se aproximava de mil e com expectativa de superar 10 mil vítimas, colocou o país no centro das atenções da comunidade internacional.

A mobilização de auxílio externo, especialmente por parte dos Estados Unidos, levanta questões sobre os interesses geopolíticos por trás da solidariedade declarada.

Em entrevista ao Hora H desta sexta-feira (26), Denilde Holzhacker, professora de Relações Internacionais da ESPM, analisou a dimensão política da resposta internacional à catástrofe.

Segundo ela, a Venezuela já havia enfrentado uma grave crise humanitária nos últimos anos, agravada por problemas econômicos e políticos internos, e agora se depara com uma das maiores tragédias naturais de sua história.

Infraestrutura precária agrava impacto da tragédia

A especialista destacou que o país vinha sofrendo um processo de deterioração de toda a sua infraestrutura, o que amplifica os efeitos de um desastre dessa magnitude.

“É um país que tem uma população que vive na linha da pobreza, uma das maiores na América Latina, com projeções de quase 80% da população em situação de pobreza”, afirmou Denilde. Diante desse cenário, qualquer tragédia de grande escala gera um impacto humanitário e econômico bastante amplo.

Interesse dos EUA vai além da ajuda humanitária

Ao analisar a atuação dos Estados Unidos, Denilde apontou três fatores que explicam a resposta rápida e abrangente. O primeiro diz respeito ao petróleo: segundo a especialista, a produção venezuelana não foi diretamente afetada pela tragédia, o que mantém o interesse americano no setor.

O segundo fator está relacionado ao apoio ao governo de transição do país. “Há um apoio ao governo da Delcy Rodrigues, e essa situação pode ser uma oportunidade para ela conseguir mostrar que é capaz de liderar o país num momento de crise”, explicou a professora.

O terceiro ponto levantado por Denilde é de natureza geopolítica. Ao agir de forma mais rápida do que a China — país que historicamente mantém laços estreitos com a Venezuela — os Estados Unidos buscam demarcar terreno.

“Também aqui demarcando que a aliança entre Estados Unidos e Venezuela estaria mais fortalecida nesse governo de transição”, afirmou.

A especialista ressaltou que, em um primeiro momento, as ações são emergenciais, com foco na retirada de sobreviventes dos escombros e na prevenção de contaminações. A fase seguinte, de reconstrução, seria aquela em que o governo americano atuaria como grande investidor.



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