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EUA: Câmara aprova ajuda à Ucrânia e sanções à Rússia, contrariando Trump


Mais de uma dezena de parlamentares republicanos desafiaram sua própria liderança — e o presidente Donald Trump — ao votar com os democratas pela aprovação de um importante projeto de lei que destina bilhões de dólares em ajuda à Ucrânia e impõe duras sanções à Rússia.

A Câmara dos Representantes aprovou o pacote por 226 votos a 195. A medida endurece as restrições contra a Rússia com novas sanções aos setores de petróleo e gás e representa a primeira grande iniciativa pró-Ucrânia durante o segundo mandato de Trump.

O presidente da Câmara, o republicano Mike Johnson, orientou o partido a votar contra o projeto em reunião a portas fechadas. Segundo uma pessoa que estava presente no encontro, ele argumentou que era preciso dar espaço para que Trump negociasse com a Rússia.

No entanto, 18 republicanos e um deputado independente que costuma votar com os republicanos apoiaram a proposta. O resultado foi interpretado, como uma repreensão à postura de Trump em relação à guerra da Rússia contra a Ucrânia. Os parlamentares buscavam enviar uma mensagem à liderança do partido, que nos últimos anos se afastou gradualmente do apoio firme que antes demonstrava a Kiev.

O Partido Republicano está atualmente dividido sobre o tema, com muitos integrantes defendendo que os Estados Unidos não enviem mais ajuda ao país devastado pela guerra.

Para que o projeto sequer chegasse ao plenário, foi necessária uma rebelião contra a liderança republicana da Câmara. O deputado Kevin Kiley, da Califórnia, um independente que frequentemente vota com os republicanos, forneceu a assinatura final para uma discharge petition — mecanismo parlamentar usado para contornar a liderança e forçar a votação de propostas.

O deputado Brian Fitzpatrick, republicano moderado e copresidente da Bancada da Ucrânia no Congresso, trabalhou durante meses com o democrata Greg Meeks, de Nova York, para reunir as 218 assinaturas necessárias e levar o projeto diretamente ao plenário sem a aprovação de Johnson.

A proposta inclui sanções rigorosas contra líderes e instituições russas, incluindo grandes bancos e empresas dos setores de petróleo e mineração. Também prevê tarifas de 500% sobre todos os produtos russos importados pelos Estados Unidos e a proibição da importação de petróleo bruto russo.

Além disso, o texto amplia o apoio militar à Ucrânia, autorizando US$ 8 bilhões em vendas de armamentos e prorrogando um programa de empréstimo e arrendamento militar criado durante o governo Biden.

Com a política externa de Trump concentrada principalmente no Irã nos últimos meses, o conflito entre Ucrânia e Rússia se intensificou ainda mais, com pouca participação dos Estados Unidos.

Trump não obteve avanços concretos em sua promessa de encerrar rapidamente a guerra após assumir o cargo, em janeiro de 2025.

Em um episódio recente, Trump irritou até mesmo alguns membros de seu partido ao flexibilizar restrições ao petróleo russo para reduzir os impactos da guerra com o Irã sobre os preços globais da energia. Ao mesmo tempo, muitos republicanos na Câmara preferem que o partido concentre esforços no combate ao aumento do custo de vida nos Estados Unidos, em vez de se envolver em mais um conflito internacional.

Fontes republicanas e democratas previram que o projeto seria aprovado na Câmara, mas afirmaram que seu destino no Senado ainda é incerto. Embora alguns republicanos da Casa tenham sido fortes defensores da Ucrânia no passado, não está claro se haverá apoio suficiente para atingir o limite de 60 votos necessário para avançar com a proposta.

Caso o projeto seja apreciado e aprovado pelo Senado, será a primeira grande iniciativa do Congresso relacionada à guerra entre Ucrânia e Rússia desde a controversa lei suplementar de financiamento aprovada na primavera de 2024, quando Joe Biden ainda era presidente.

Nos últimos anos, líderes do Congresso concordaram em enviar ajuda americana à Ucrânia por meio de diversos pacotes de defesa, embora essas medidas tenham enfrentado resistência da Casa Branca.



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