Enquanto o Oriente Médio entra na metade final do cessar-fogo de duas semanas, os Estados Unidos apostam em um cerco contra as exportações de petróleo do Irã — a principal força econômica e de receitas para as contas do país — para levar Teerã a aceitar um acordo para pôr fim à guerra tal como deseja Washington.
Os Estados Unidos já decidiram que não renovarão a suspensão de 30 dias das sanções contra o petróleo iraniano em alto mar, que expira no domingo (19).
Apesar do potencial de gerar receitas para o Estado iraniano, a isenção havia sido concedida para permitir que até 140 milhões de barris de petróleo do país chegassem ao mercado global, aliviando a crise de oferta da commodity gerada pelo próprio Irã com o bloqueio sobre o Estreito de Ormuz.
O fim da suspensão de sanções vai se juntar às interceptações que a Marinha dos EUA vêm fazendo contra navios que partem ou têm como destino portos iranianos no Golfo Pérsico desde segunda-feira (13).
Há mais de seis semanas, forças da Guarda Revolucionária do Irã vinham permitindo que apenas navios com destino ou partindo de portos iranianos, ou que passassem por postos de controle em ilhas iranianas na região, atravessassem o estreito.
No início do conflito, o Irã fez valer este controle via ataques contra embarcações que não coordenassem passagem com a Guarda Revolucionária — e vinha reiterando este bloqueio por meio de ameaças públicas.
Já desde a semana passada, quando teve início o cessar-fogo de duas semanas no Oriente Médio, a Guarda passou a alegar que a rota tradicionalmente utilizada antes da guerra, mais próxima à costa do Omã, estava com minas antinavais.
Assim, os navios deveriam continuar utilizando a rota próxima a ilhas iranianas — o que permitiu a Teerã manter o tráfego no estreito em uma média de cerca de 10 a 15 navios por dia, abaixo dos 140 que costumavam passar antes da atual guerra entre EUA e Israel versus Irã eclodir, no final de fevereiro.
No último final de semana, ao menos dois navios da Marinha dos EUA cruzaram o estreito para dar início a uma operação para garantir a desminagem da região.
Nesta terça-feira (14), oito navios cruzaram o Estreito de Ormuz, segundo plataformas de monitoramento de tráfego marítimo.
Uma dessas embarcações era um navio-tanque chinês alvo de sanções americanas por transportar produtos do Irã, que havia deixado o Golfo Pérsico rumo ao mar aberto.
Mas, na madrugada desta quarta (15) — pelo horário local; noite de terça em Brasília –, este navio fez uma manobra de retorno ao Golfo Pérsico, como resultado de uma possível interceptação pela Marinha dos EUA na altura do Mar Arábico.
“Sinto-me muito bem com relação ao ponto em que estamos”, disse o vice-presidente dos EUA, JD Vance, nesta terça-feira (14).
Vance afirmou que as negociações prosseguem, enquanto o presidente Donald Trump sugeriu ao jornal americano New York Post que novas rodadas de discussões presenciais com o Irã poderiam ocorrer ainda esta semana.
Foi JD Vance quem liderou a delegação americana em discussões com autoridades do Irã em Islamabad, capital do mediador Paquistão, no sábado (11).
As conversas terminaram travadas após os Estados Unidos não receberem compromissos considerados satisfatórios em relação ao programa nuclear do Irã.
Os EUA não abrem do desmantelamento completo de usinas de enriquecimento nuclear do Irã e querem que Teerã entregue todo o urânio já enriquecido a níveis próximos do necessário para a confecção de bombas.
A delegação iraniana também deixou Islamabad acusando os EUA de inflexibilidade. O Irã quer o fim de todas as sanções contra o país e reconhecimentos sobre o direito de manter urânio enriquecido — ainda que diluído — para fins alegadamente civis.
Ao deixar Islamabad no sábado, Vance disse: “saímos daqui com uma proposta muito simples e um método de entendimento, que é a nossa proposta final e definitiva.”
“Veremos se os iranianos a aceitam”, acrescentou.
* Com informações da Reuters e da CNN

