Icônica fabricante de brinquedos brasileira, a Estrela entrou com pedido de recuperação judicial.
A empresa comunicou a decisão ao mercado financeiro nesta quarta-feira (20), apontando como principais fatores a necessidade de reestruturação do passivo, o aumento do custo de capital e a restrição de crédito.
Fernando Nakagawa, analista de Economia da CNN Brasil e âncora do CNN Money, explica que o pedido de recuperação judicial não significa o encerramento das atividades da companhia.
“A empresa pede recuperação judicial, mas ela continua operando normalmente, continua fabricando, vendendo e atendendo os clientes”, pontuou Nakagawa.
Situação financeira crítica
Os números divulgados pela empresa revelam um cenário de grave dificuldade financeira. No primeiro trimestre do ano passado, a Estrela registrou receita de quase R$ 60 milhões com a venda de brinquedos, mas o custo da operação atingiu cerca de R$ 56 milhões.
Além disso, as despesas financeiras — compostas basicamente por juros — somaram R$ 40 milhões, resultando em um prejuízo de quase R$ 40 milhões apenas naquele trimestre.
A situação era ainda mais preocupante antes desse resultado negativo. Segundo Nakagawa, a companhia já carregava uma dívida de R$ 115 milhões e prejuízos acumulados superiores a R$ 660 milhões.
“Ou seja, a empresa estava numa situação muito difícil antes mesmo do prejuízo”, destacou o analista.
Desde então, não há novos dados financeiros disponíveis sobre a companhia.
Fatores que levaram ao pedido
Entre os fatores que contribuíram para a crise, Nakagawa apontou os juros elevados e a mudança no comportamento dos consumidores.
Segundo ele, as crianças têm comprado cada vez menos brinquedos físicos e optado por produtos eletrônicos.
“Tudo isso junto faz com que a empresa esteja em dificuldade”, afirmou.
O pedido de recuperação judicial foi protocolado na comarca de Três Pontas, no interior de Minas Gerais. A Justiça precisa autorizar o processo para que se inicie a repactuação da dívida com bancos e demais credores.
A Estrela afirmou ter confiança de que suas atividades industriais, comerciais e administrativas, bem como a oferta de brinquedos e o atendimento a clientes e lojistas, serão mantidos regularmente durante o processo.
A empresa é responsável por clássicos do entretenimento infantil brasileiro, como Banco Imobiliário, Boneca Suzy, Gênios, Autorama, Jogo da Vida, Fofolete, Falcon, Comandos em Ação, Ferrorama e Pogobol, entre outros produtos que marcaram gerações.











