O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta última sexta-feira (25) a Medida Provisória que proíbe bets e cassinos online no país. A partir de hoje, os apostadores não poderão mais adicionar fundos monetários nos sites e as plataformas de apostas deverão sair do ar no dia 6 de outubro.
Com a operação das bets sendo vetada em território nacional, os contratos atualmente em vigência das casas de aposta com os clubes brasileiros provavelmente serão rescindidos.
Como a decisão impacta no futebol brasileiro
Somente na Série A do Campeonato Brasileiro, 14 dos 20 times possuem uma operadora de apostas como patrocinadora principal. Apesar de não terem acordo máster no momento, Mirassol e Bragantino possuem acordos com empresas do segmento para patrocínio secundário.
Apenas Athletico-PR, Bahia, Coritiba e Internacional ficam de fora da lista. O clube baiano, no entanto, possui naming rights vinculados ao seu estádio, chamado de Casa de Apostas Arena Fonte Nova.
As duas principais competições do país, o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, também têm seus naming rights vinculados a uma das principais plataformas do ramo, a Betano. Segundo dados da Info Money, as empresas de bets somadas chegaram a aplicar R$ 1,14 bilhão no futebol em 2025, correspondendo a 7,9% das receitas totais dos clubes naquele ano.
Em 2025, cerca de 34% da receita das principais equipes do Brasil vieram de casas de apostas, totalizando R$ 1,1 bi, segundo dados da Sports Value. Em 2026, o investimento do segmento também ultrapassou a casa do R$ 1 bilhão.
Na Série B, também há grande adesão, com 13 dos 20 clubes possuindo vínculos com marcas de bets. Desses, 11 têm acordos considerados máster. O Náutico, por exemplo, negociou os naming rights do seu estádio para a empresa Esportes da Sorte.
Repercussão da proibição
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, concedeu entrevista exclusiva à CNN Brasil nesta sexta-feira (25) e afirmou que o futebol brasileiro pode perder cerca de R$ 2,5 bilhões em receitas no próximo anos com a proibição em vigor.
“O futebol brasileiro vai perder, no ano que vem, alguma coisa em torno de R$ 2,5 bilhões”, afirmou Bap, complementando o que esse cenário representa para o Rubro-Negro.
“Isso traria impactos desastrosos para o Flamengo como um todo, não só no futebol, mas também nos esportes olímpicos. A gente estima que as perdas imediatas de receita para o ano que vem sejam de R$ 400 milhões a R$ 430 milhões e, sem um preparo prévio, é absolutamente impossível que você consiga estancar essa sangria”, finalizou.
O presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, também concedeu entrevista à CNN Brasil e calculou o tamanho do prejuízo para o clube depois da decisão.
“Aqui temos o impacto de mais de R$ 100 milhões com a medida. Além do patrocínio máster, isso também afeta contratos que a gente tem, como as placas do campo, as camisas que temos já produzidas com seis meses de antecedência. Preocupa muito aqui para o futuro do Fluminense”, comentou o mandatário tricolor.
Mais cedo na tarde de hoje, antes do anúncio oficial do governo, a dupla Fla-Flu já havia se manifestado nas redes sociais em posição contrária à proibição. Veja abaixo:
O debate sobre a proibição das apostas é legítimo e não deve ser interditado. Há preocupações reais com endividamento e vício, mas qualquer decisão precisa considerar os seguintes pontos:
• Segurança jurídica e previsibilidade: empresas que cumpriram a regulamentação e… pic.twitter.com/HPsgSaciAC
— Fluminense F.C. (@FluminenseFC) September 25, 2026
O Brasil levou anos discutindo como regulamentar as apostas esportivas. O Congresso aprovou, o governo regulamentou, empresas pagaram para operar legalmente no país, fizeram investimentos e passaram a cumprir regras de fiscalização, tributação e proteção ao consumidor.
Não se… pic.twitter.com/RxK2nBe6S7
— Flamengo (@Flamengo) September 25, 2026
No dia 17 de setembro, clubes brasileiros já haviam se manifestado contra uma eventual proibição, defendendo a manutenção e a regulação do funcionamento das empresas no Brasil.
Veja os valores dos contratos anuais das bets nos clubes brasileiros
De acordo com relatório da consultoria Convocados, o dinheiro das bets equivale a 33% do faturamento comercial e de marketing do futebol brasileiro.
O valor flutua entre 5% a 8% do orçamento total para a maioria das equipes, mas o índice aumenta para equipes com contratos mais robustos, como Flamengo (cerca de 12,85%), Corinthians e São Paulo (10,5%).
A maioria dos times no país possuem contratos de patrocínio com essas empresas, confira a lista completa abaixo:
- Flamengo R$ 268,5 milhões Betano
- Corinthians R$ 150 milhões Esportes da Sorte
- São Paulo R$ 113 milhões Superbet
- Palmeiras R$ 100 milhões Sportingbet
- Atlético-MG R$ 62 milhões H2Bet
- Botafogo R$ 55 milhões VBet
- Fluminense R$ 52 milhões Superbet
- Vasco R$ 50 milhões Sportingbet
- Grêmio R$ 46 milhões Pitaco
- Cruzeiro R$ 40 milhões Betnacional
- Santos R$ 35 milhões Novibet
- Vitória R$ 20 milhões 7KBet
- Remo R$ 12 milhões VaideBet
- Chapecoense Sem divulgação oficial ZeroUm










