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“Eleição do Congresso é tão importante quanto presidencial”, diz JPMorgan


O cenário eleitoral brasileiro ainda está “muito em aberto” para os investidores, segundo Cassiana Fernandez, economista-chefe do JPMorgan para a América Latina.

Durante o seminário “Rumos da Economia”, do Lide, nesta terça-feira (1º), ela afirmou que a definição do Congresso Nacional será quase tão importante quanto a escolha do próximo presidente para determinar os rumos da economia a partir de 2027.

Segundo Cassiana, o mercado acompanha não apenas a plataforma econômica do candidato vencedor, mas também quem formará sua equipe econômica e, principalmente, qual será a capacidade de implementar as medidas propostas.

“A eleição do Congresso Nacional é quase tão importante quanto a do governo federal”, afirmou.

A incerteza também é influenciada, na avaliação da economista, pela maior atenção dos Estados Unidos à América Latina. Cassiana citou a chamada “Doutrina Donroe”, associada à postura mais assertiva do governo Donald Trump na região, e disse que as ações americanas criam novos desafios econômicos e políticos para o Brasil e para o próximo governo.

Apesar do cenário de incerteza, Cassiana afirmou que a visão estrutural sobre o Brasil continua positiva, destacando as contas externas, as reservas internacionais e a capacidade do país de atrair investimentos.

No curto prazo, porém, vê desaceleração: a expectativa é de crescimento próximo de 2% em 2026 e de cerca de 1% em 2027, em meio a um desequilíbrio macroeconômico que, segundo ela, vem se agravando.

O economista-chefe da XP, Caio Megale, reforçou a preocupação com as contas públicas.

Segundo ele, mesmo com recorde de arrecadação, o governo não consegue gerar superávit, enquanto a dívida pública já avançou cerca de quatro pontos percentuais neste ano.

Para Megale, um ajuste fiscal será fundamental para reequilibrar a economia.

Na avaliação do economista, o crescimento forte dos últimos anos também deixou efeitos colaterais. “O excesso gerou dois efeitos colaterais complicados: juros muito altos e tributação elevada e incerta”, afirmou.



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