Lista registra eventos ocorridos durante estudo, sem apontar relação de causalidade
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Circulam nas redes sociais publicações dizendo que a Pfizer identificou a contaminação por hantavírus como efeito colateral da vacina contra a Covid-19. É #FAKE.
Selo Fake (Horizontal)
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🛑 Como são os posts?
Desde o início de maio, publicações no X fazem essa alegação. Como argumento, exibem um documento real, escrito em inglês, encaminhado pela Pfizer em 2021 à Food and Drug Administration (FDA), agência regulatória americana de alimentos e medicamentos.
Veja um exemplo de legenda dos posts fakes:”Hantavirus é listado em um documento de 38 páginas da Pfizer. Um entre 1.233 efeitos colaterais. Então, quer dizer que a vacina da Covid-19 se transformará em um vírus?”.
Contatada pelo Fato ou Fake, a assessoria de imprensa da Pfizer informou: “A infecção por Hantavírus não está listada como uma reação adversa na bula aprovada da vacina Pfizer-BioNTech contra a Covid-19, que pode ser encontrada em nosso site, bem como no portal da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] . Autoridades regulatórias em todo o mundo autorizaram a vacina contra a Covid-19 da Pfizer-BioNTech, e comitês médicos especializados revisaram e continuam revisando os dados, recomendando seu uso. Com bilhões de doses administradas globalmente, o perfil de segurança da vacina para todos os grupos autorizados permanece favorável”.
Disponível nos sites de agências regulatórias do Brasil e do mundo, a bula não faz nenhuma menção ao hantavírus. O comunicado da farmacêutica ainda cita: “A infecção pulmonar por hantavírus aparece no documento como um evento relatado, e não como uma reação adversa atribuída à Comirnaty [nome da vacina da Pfizer]. O documento compartilhado com a FDA deixa claro que ‘um acúmulo de relatos de eventos adversos não indica que um determinado evento adverso (EA) tenha sido causado pela vacina; o evento pode ser decorrente de uma doença subjacente ou de outros fatores, como histórico médico prévio ou medicação concomitante'”.
Na imagem exibida pela publicação falsa, o termo “infecção pulmonar por hantavírus” aparece justamente porque esse foi um dos eventos registrados pela fabricante após a aplicação do imunizante. Essa anotação deve ser feita mesmo que esse evento esteja ligado a condições médicas não relacionadas à vacina.
Consultado pelo Fato ou Fake, um especialista em microbiologia afirmou que a listagem é obrigatória para a aprovação clínica de qualquer vacina ou medicamento. Também explicou que não houve nenhum aumento de casos de infecção por hantavirose ou indício de que a vacina da Pfizer provocou esse quadro(leia mais abaixo).
Os posts falsos passaram a circular após o surto de uma variante do hantavirus, chamada de Andes, que matou três pessoas a bordo do navio-cruzeiro MV Hondius. A embarcação saiu de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, em 1º de abril, e chegou, nesta segunda-feira (18), ao porto de Rotterdam, na Holanda, onde será desinfetada.
Em 12 de maio, o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, descartou uma disseminação maior da doença, mas a situação ainda requer atenção, devido ao longo período de incubação do vírus.
O hantavírus é transmitido através do contato com a saliva, urina e fezes de roedores. No organismo, a infecção pode causar fadiga, febre, dores musculares e problemas abdominais. Em quadros mais graves, pode levar a problemas pulmonares e cardiovasculares, podendo evoluir para a síndrome da angústia respiratória (SARA).
⚠️ Por que #É FAKE?
Veja, abaixo, os efeitos adversos que podem ser causados pela vacina da Pfizer (todos estão na bula, que não meciona “hantavírus”):
Reações muito comuns (ocorrem em 10% dos pacientes que utilizam este medicamento) – dor de cabeça, diarreia, dor nas articulações, dor muscular, dor e inchaço no local de injeção, cansaço, calafrios e febre.
Reações comuns (ocorrem entre 1% e 10% dos pacientes que utilizam este medicamento) – aumento dos gânglios linfáticos (ou ínguas), náusea, vômito e vermelhidão no local de injeção.
Reações incomuns (ocorrem entre 0,1% e 1% dos pacientes que utilizam este medicamento) – reações de hipersensibilidade [por exemplo, erupção cutânea (lesão na pele), prurido (coceira), urticária (alergia da pele com forte coceira), angioedema (inchaço das partes mais profundas da pele ou da mucosa)], diminuição de apetite, insônia, tontura, letargia (cansaço e lentidão de reações e reflexos), hiperidrose (suor excessivo), suor noturno, dor nos membros (braço), astenia (fraqueza, cansaço físico intenso), sensação de mal-estar e prurido no local de injeção.
Reações raras (ocorrem entre 0,01% e 0,1% dos pacientes que utilizam este medicamento) – paralisia facial aguda.
Ao Fato ou Fake, Luís Carlos de Souza Ferreira, professor do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de São Paulo (USP), explica que a listagem de eventos adversos de saúde é obrigatória na fase 4 do estudo clínico de qualquer vacina ou medicamento.
“Esse relatório da Pfizer apresenta uma lista de centenas de possíveis efeitos adversos e desdobramentos patológicos para os quais as equipes de saúde devem atentar, verificando se ocorre alguma alteração na população. No caso do hantavírus, ele está listado apenas como um dos pontos a serem avaliados pelas equipes, mas não houve nenhum relato de aumento de infecção ou indício de que a vacina estivesse induzindo esse efeito. O fato de o hantavírus aparecer nessa lista não significa que a vacina cause a doença; dizer isso não tem sentido e é categoricamente falso”.
O especialista afirma que, em uma situação hipotética, se a fabricante tivesse comprovado uma relação de causa e efeito entre a vacina contra a Covid-19 e a hantavirose, a aplicação do imunizante teria sido suspensa. Foi o que ocorreu, por exemplo, quando se identificou um risco de trombose, ainda que remoto, associado à vacina da AstraZeneca:
“Esse sistema de monitoramento é tão sério, tão poderoso, que uma outra vacina contra a Covid-19 foi tirada de circulação justamente porque esse tipo de estudo de monitoramento mostrou um risco real, embora muito pequeno, de trombose e derrames. Esse sistema é capaz de detectar eventos que ocorrem em 1 a cada 200 mil ou 300 mil indivíduos, algo impossível de notar em testes iniciais. No caso deste relatório da Pfizer, a análise cuidadosa verificou que a hantavirose sequer foi detectada. Se houvesse qualquer indício real, o sistema teria agido, por isso essa ‘notícia’ é completamente fake”.
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É #FAKE que Pfizer listou infecção por hantavírus como efeito colateral de vacina contra Covid-19











