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Dr. Kalil e especialistas explicam como diferenciar tipos de bipolaridade


O transtorno bipolar se apresenta de duas formas diferentes, com características e intensidades distintas que muitas vezes dificultam o diagnóstico correto. Em conversa com o Dr. Roberto Kalil no programa CNN Sinais Vitais deste sábado (18), especialistas explicaram como diferenciar o transtorno bipolar tipo 1 e o tipo 2.

De acordo com o psiquiatra e professor da Faculdade de Medicina da USP Beny Lafer, o transtorno bipolar tipo 1 é caracterizado por episódios de mania mais intensos e incapacitantes, enquanto no tipo 2 ocorrem as chamadas hipomanias, que são fases de euforia mais leves.

“No tipo 2, as manias não são tão intensas, a gente chama de hipomania. Então, a pessoa tem muita energia, faz muita coisa, dorme muito pouco e não se cansa, mas não chega ao ponto de ser incapacitante”, explicou Lafer.

Um ponto crucial destacado pelos médicos é que muitos pacientes com transtorno bipolar tipo 2 não percebem que estão em uma fase de hipomania, considerando-a apenas como um período de disposição extra. “Essa pessoa fala, eu estou na melhor fase da minha vida, por que vocês vão me tratar?”, comentou o especialista da USP.

Essa falta de percepção sobre o próprio estado pode levar ao diagnóstico equivocado de depressão, pois quando o paciente procura ajuda médica, geralmente o faz durante a fase depressiva, sem mencionar os episódios de euforia leve. “Acontece muito esse erro diagnóstico”, destacou Lafer.

Segundo a psiquiatra infantil e professora da Unifesp, Sheila Caetano, o transtorno bipolar tipo 1 ocorre em cerca de 1% da população, enquanto o tipo 2 afeta até 3% das pessoas. A condição atinge igualmente homens e mulheres, e frequentemente começa no final da adolescência ou início da idade adulta. “30% começa antes dos 18 anos”, alertou Sheila, acrescentando que o uso de drogas pode precipitar o surgimento dos sintomas.

Outro aspecto importante ressaltado durante a conversa por Beny Lafer é que, embora o transtorno bipolar seja caracterizado pelos episódios de mania ou hipomania, os pacientes passam muito mais tempo de suas vidas em fases depressivas. “No curso longitudinal, o maior problema é a depressão”, explicou o psiquiatra.

Essa depressão, segundo Lafer, pode durar semanas ou meses, com sintomas como humor triste ou irritado, baixa energia, problemas de sono, dificuldade de concentração, baixa autoestima, ansiedade e ideias de culpa ou fracasso.



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