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Disney lidera corrida entre parques temáticos com maior crescimento em anos


Os parques e cruzeiros da Disney registraram o maior crescimento em dois anos no trimestre mais recente, com receita 10% superior à do mesmo período do ano anterior.

A frequência global nos parques cresceu 4%, os gastos por visitante aumentaram e a ocupação dos hotéis domésticos da companhia atingiu impressionantes 91% — tudo isso em um momento em que concorrentes como Universal e Sea World enfrentaram queda no público.

Ao mesmo tempo, influenciadores digitais inundaram as redes sociais com vídeos mostrando filas curtas e parques aparentemente vazios. Em junho, a criadora de conteúdo Kel Warner, do perfil @themeparkmomlife, gravou um Disneyland relativamente vazio no meio do verão americano.

“É o meio do verão, o clima está perfeito e o parque não está lotado”, disse ela. Os números, no entanto, contam uma história diferente — as filas curtas foram apenas uma ilusão.

Para analistas do setor, a Disney acionou uma série de estratégias para atrair visitantes em um período em que os consumidores estão mais seletivos com seus gastos.

Descontos direcionados

A Disney lançou uma série de promoções agressivas e segmentadas para a temporada de verão, voltadas especialmente para famílias com crianças pequenas. O Disneyland Resort, na Califórnia, ofereceu ingressos de um dia por US$ 50 para crianças de 3 a 9 anos — valor muito abaixo da faixa habitual, que vai de US$ 168 a US$ 279.

Na Flórida, crianças da mesma faixa etária receberam um plano de refeições gratuito com a compra de um plano adulto.

Hotéis com tarifas promocionais

Assinantes do Disney+ puderam reservar quartos em hotéis de categoria básica do Walt Disney World a partir de US$ 99 por noite, enquanto a tarifa padrão no mesmo período variava entre US$ 174 e US$ 225, segundo o site MouseSavers.com.

Beci Mahnken, fundadora e CEO da MEI-Travel e Mouse Fan Travel, avaliou positivamente a estratégia: “Acho que a Disney está começando a ler o ambiente. Eles não ficaram de repente baratos, e não acho que devemos fingir que ficaram. Em vez disso, encontraram maneiras de agregar valor e dar mais opções aos consumidores sem diminuir a experiência.”

O CEO Josh D’Amaro, por sua vez, minimizou as preocupações de analistas que viram os descontos como sinal de dificuldade. Segundo ele, a Disney não estava crescendo por meio de “descontos”.

Atrações renovadas e eficiência operacional

Enquanto projetos de longo prazo para novas áreas e atrações radicais continuam em desenvolvimento, a Disney apostou neste ano em reformas mais acessíveis financeiramente — dando cara nova a atrações já existentes para estimular visitas repetidas.

No Disneyland, a estreia do espetáculo “Bluey’s Best Day Ever!” em um teatro que estava desativado há meses gerou filas enormes nos dias de abertura. Uma atração similar no Walt Disney World, na Flórida, teve sucesso semelhante.

O resort da Flórida também renovou clássicos como o Buzz Lightyear’s Space Ranger Spin e o Big Thunder Mountain Railroad, além de dar uma nova temática dos Muppets à antiga Rock “n” Roller Coaster.

As filas mais curtas observadas pelos visitantes não foram resultado de menor público, mas de maior eficiência no serviço de fura-fila da Disney e de uma manutenção mais proativa das atrações, segundo porta-voz da companhia.

A Disney também aproveitou espaços subutilizados para distribuir melhor o fluxo de pessoas sem aumentar o tempo de espera nas atrações.

Concorrentes em dificuldade

Enquanto a Disney comemorava resultados sólidos, os concorrentes enfrentaram um cenário mais difícil. A Universal registrou crescimento de receita de apenas 2,7% no mesmo período, com queda de público nos dois parques mais antigos de Orlando — a empresa citou fraqueza no sentimento do consumidor e custos de viagem mais altos.

Já a United Parks and Resorts, dona do Sea World e do Busch Gardens, viu a frequência cair 2,9% e a receita recuar 1,4%.

Em memorando interno compartilhado com exclusividade pela CNN, Thomas Mazloum, presidente da Disney Experiences, informou aos funcionários que pesquisas de satisfação com visitantes mostraram alta satisfação e intenção de retorno “em quase todos os mercados em que operamos”.

Para Mahnken, a Disney possui uma vantagem difícil de replicar: “Temos gerações de pais e avós que cresceram indo à Disney, e agora querem que seus filhos e netos tenham as mesmas experiências. Esse tipo de conexão é difícil de competir.”



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