Em entrevista à CNN, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay e responsável pela defesa do senador Ciro Nogueira, afirmou que o parlamentar não recebeu qualquer tipo de repasse ou “mesada” do ex-banqueiro e controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
“Com certeza esse dinheiro não chegou na conta do Ciro. Eu garanto, em nome do Ciro Nogueira, que não houve mesada”, declarou Kakay.
A PF identificou pagamentos mensais que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, supostamente coordenados por Vorcaro em favor do senador.
Segundo as investigações, foram encontradas trocas de mensagens entre Felipe Cançado Vorcaro, primo do ex-banqueiro, e Daniel Vorcaro discutindo os valores dos repasses.
De acordo com a PF, as transferências ao parlamentar ocorreriam em razão da chamada “parceria BRGD/CNLF”. A empresa BRGD S.A., ligada à família Vorcaro, seria a origem dos recursos, enquanto a CNLF Empreendimentos Imobiliários, vinculada ao senador e administrada formalmente por seu irmão, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, teria recebido os valores.
Na última quinta-feira (7), a PF deflagrou a quinta fase da Operação Compliance Zero, que teve como um dos principais alvos o senador Ciro Nogueira. A operação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, aponta um suposto envolvimento do parlamentar em ações que teriam beneficiado o Banco Master e Daniel Vorcaro. Durante a ação, agentes realizaram buscas na residência do senador, em Brasília, e apreenderam o celular e um tablet do parlamentar.
Ainda à CNN, Kakay afirmou que uma eventual quebra do sigilo bancário de Ciro Nogueira poderia beneficiar a defesa.
“É até bom que se quebre o sigilo bancário do senador. É sempre uma preocupação das pessoas que têm direito ao sigilo bancário, mas isso vai produzir uma prova negativa importante para o senador”, disse.

