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‘Deep Tech no Brasil exige capital paciente e solução de problemas reais’, dizem especialistas


Durante o São Paulo Innovation Week 2026, o painel “Deep Tech em Energia: o que falta para escalar ciência no Brasil” reuniu vozes da academia e do mercado para debater o futuro das tecnologias de base científica. O consenso entre Douglas Veronez (Emerge), Luiz Miranda (EnergyC), Marcelo Souza de Castro (UNICAMP) e Hudson Zanin (UNICAMP) é claro: o Brasil possui capital humano de excelência, mas ainda falha em transformar patentes em produtos competitivos por falta de infraestrutura e investimento de risco.

O professor Marcelo Souza de Castro definiu Deep Techs como empresas que nascem de desenvolvimentos tecnológicos com robusta base científica. Segundo ele, o grande problema brasileiro não é a pesquisa — que é de ponta —, mas o que vem depois. A integração entre universidades e empresas é baixa, dificultando a travessia do “Vale da Morte”, o estágio no qual a tecnologia sai do laboratório, mas ainda não é um produto comercial.

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Para Marcelo, falta um ecossistema que transforme patentes em equipamentos. Ele citou o exemplo de tecnologias desenvolvidas com a Petrobras que precisaram ser testadas na Escócia por falta de ambientes de teste locais. Essa carência de infraestrutura aumenta os custos e o tempo de desenvolvimento, afastando investidores que buscam retornos rápidos em um país de taxas de juros elevadas.

Barreiras regulatórias e mercado global

Hudson Zanin destacou que, embora o Brasil desenvolva tecnologias emergentes como baterias e biocombustíveis, a competição global é desleal. Enquanto a China possui milhares de fábricas de baterias operando em escala monstruosa, o Brasil ainda engatinha na produção local. O pesquisador defende que, em setores estratégicos, o Estado precisa atuar não apenas com dinheiro, mas criando arcabouços regulatórios e “sandboxes” que reduzam os riscos para quem decide empreender.

A dificuldade de fazer a leitura correta do mercado também foi apontada como um entrave. Zanin alertou que muitos pesquisadores começam resolvendo o “problema errado”, sem ouvir as dores reais da indústria. Sem essa conexão direta com o mercado consumidor e um ambiente regulatório claro, as Deep Techs brasileiras dificilmente conseguem escalar de forma sustentável antes de serem absorvidas por players estrangeiros.

Investimento e o futuro do ecossistema

Douglas Veronez, da Emerge, trouxe dados do mapeamento de 2026, revelando que o Brasil possui 952 Deep Techs, sendo 56% spin-offs acadêmicas. Apesar do volume, o país perde para Argentina e Chile em volume de investimento captado. A falta de um “outlier” (um unicórnio de base científica) ainda é uma realidade, mas o cenário está mudando com a entrada de Corporate Venture Capital de gigantes como a Petrobras.

Veronez ressaltou que a Deep Tech exige mais capital e tempo, mas esse prazo pode ser reduzido se houver financiamento contínuo. Atualmente, o ecossistema está se adaptando, com editais da Finep e agências de fomento ajustando exigências para empresas que ainda não faturam. O otimismo do painel reside na convergência atual: o interesse internacional por Deep Techs e a riqueza natural do Brasil em energia criam a janela perfeita para o surgimento dos primeiros grandes cases de sucesso nacionais.

O TecMundo está no São Paulo Innovation Week! O SPIW 2026 começa nesta quarta-feira (13), na capital paulista, reunindo líderes de grandes companhias brasileiras e globais, empresas e startups. Centros de pesquisa, investidores e governos também estarão presentes, participando de debates em tecnologia, ciência, educação, saúde, finanças e muitas outras áreas. Para todos os detalhes, acesse o site oficial do evento.



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