Se você abriu o TikTok nos últimos dias e deu de cara com um morango traindo uma banana, relaxa: você não está ficando maluco. As chamadas “frutinovelas” viraram febre global e são basicamente novelinhas dramáticas feitas 100% com inteligência artificial (IA), com direito a barraco, traição e até umas cenas… bem questionáveis.
A trend começou no começo deste ano e já chegou com força no Brasil. São vídeos curtinhos, estilo episódios de um minuto, em que frutas humanizadas vivem histórias dignas de novela das nove, só que meio esquisitas e sem sentido.
smart_display
Nossos vídeos em destaque
Personagens como Cherrita, Bananito e Strawberrina protagonizam DRs, disputas e escândalos em séries como “Fruit Love Island”, uma dessas novelinhas feitas com IA que viralizaram nas redes. Em poucas semanas, a conta responsável pela produção, @ai.cinema021, acumulou 2,7 milhões de seguidores e vídeos que alcançaram até 39 milhões de visualizações no TikTok.
Mas nem tudo são flores (ou frutas), e aqui não estamos falando de uma série específica, mas desse tipo de conteúdo como um todo. Parte dos vídeos vem sendo criticada por exagerar em situações humilhantes, principalmente com personagens femininas.
Tem desde traição até punições bizarras, incluindo cenas de violência ou humilhação que incomodaram muita gente online. Em fóruns e redes, usuários passaram a classificar esse tipo de conteúdo como “AI slop”, uma enxurrada de vídeos gerados por IA, vistos como repetitivos ou de baixa qualidade.
Mesmo assim, o público não larga, e, segundo um criador anônimo de uma dessas séries em entrevista a Wired, tem motivo claro: “o que as pessoas querem ver é personagens o mais atraentes possível em cenas super dramáticas e escandalosas”. Simples assim.
Por trás do caos, tem tecnologia pesada. Ferramentas como Google Veo, Kling AI e Sora permitem criar tudo: roteiro, imagem, voz e animação. Em alguns casos, dá pra automatizar o processo inteiro com agentes de IA, do tema do episódio até o vídeo final.
“Hoje você consegue criar um agente de IA que faz tudo: pesquisa tema, escreve roteiro, gera imagem, cria voz e entrega o vídeo pronto”, explicou o especialista Renato Asse, fundador da Comunidade Sem Codar. “O criador praticamente só escolhe o tema e aperta um botão”.
Segundo Asse, o fenômeno vai além de uma simples trend, e representa uma quebra de barreira, ao colocar nas mãos de pessoas comuns uma capacidade de criação que antes era restrita a quem tinha mais recursos e conhecimento técnico. “Isso era impensável há seis meses”, completou.
Humanos roubando emprego da IA?
Só que a internet, claro, não ia deixar barato. Se a IA começou a “fazer conteúdo de gente”, os humanos resolveram inverter o jogo e começaram a recriar vídeos de IA na vida real.
Lembra dos brainrots tipo “tung tung tung sahur”, “tralalero tralala” e “ballerina cappuccina”? Esses vídeos viralizaram no ano passado com personagens e cenas completamente aleatórias, geradas por IA, geralmente acompanhadas de áudios repetitivos ou músicas meio hipnóticas. A ideia nunca foi fazer sentido, era justamente o excesso de nonsense que prendia a atenção.
Agora, esse mesmo estilo voltou, mas com um tempero diferente: os vídeos estão sendo recriados por pessoas, com figurino, atuação e edição, como versões live-action das novelinhas dos brainrots.
Diferente das frutinovelas, aqui quase não existe narrativa. São vídeos curtos, sem fala, com trilha sonora meio sombria e sequências desconexas. Cada um funciona como um surto visual independente, seguindo exatamente a lógica caótica dos brainrots originais.
O resultado virou uma espécie de piada coletiva nas redes: humanos “imitando” a IA e, de quebra, mostrando que essas estéticas bizarras já ultrapassaram o algoritmo e começaram a influenciar a forma como o próprio público cria conteúdo.

