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CVM: Master apresentava “alinhamento perverso” para manter ficção contábil


A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) verificou um alinhamento entre o Banco Master e os seus fundos dos quais era cotista para manter uma ficção contábil, de acordo com o presidente interino da autarquia, João Accioly. Ele participou na manhã desta terça-feira (24) da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado. 

“Considerando o Banco Master como cotista dos fundos, ele não foi uma vítima passiva de uma fraude. Não são os gestores que estão dizendo para ele [Master] que a meia furada que ele botou no ativo do fundo vale R$ 500 milhões. Ele [Master] foi, em larga medida, ao que tudo tem indicado, o promotor ativo desse superdimensionamento dos ativos dos fundos em que ele investia”, disse João.

De acordo com Accioly, o alinhamento entre o Banco Master e os fundos para cometer fraudes beneficiava os dois lados, pois o superdimensionamento do valor dos fundos era incluído no balanço da instituição financeira, criando uma falsa percepção de robustez do banco.

Com isso, o Banco Master sinalizava ao mercado e ao Banco Central que tinha liquidez para continuar emitindo CDBs.

“Tinha um alinhamento perverso de incentivos entre gestores e investidores, para manter essa ficção contábil. É um ‘me engana que eu gosto’. E por que ele gosta de ser enganado? Porque ele bota no balanço dele que ele tem um balanço muito mais robusto, e isso permite que ele siga emitindo CDBs, e lá para o Banco Central parece que ele tem uma solidez que ele não tinha”, declarou João nesta terça (24).

Caso Master

A CVM criou no começo do mês um grupo de trabalho para a análise técnica de informações relacionadas ao Grupo Master, à Reag e outras entidades conexas. A partir da iniciativa, a autarquia quer consolidar e sistematizar fatos, processos e informações, com vistas ao aprimoramento do diagnóstico institucional.

A Polícia Federal investiga supostas fraudes cometidas por instituições financeiras. Os crimes investigados incluem gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa, entre outros.

Os agentes da Polícia Federal estimam que a suposta fraude na venda de carteiras de crédito do Banco Master para o BRB (Banco de Brasília) somam R$ 12,2 bilhões.

Em novembro, a instituição financeira comandada por Daniel Vorcaro foi liquidada pelo Banco Central.



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