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Crise de neve no Chile? 90% das pistas de esqui são fechadas, mostram dados


Os cartões-postais de Santiago, no Chile, no inverno com a imponente Cordilheira dos Andes coberta de branco e neve agora parecem relíquias do passado.

Em meio a uma seca que assola o país sul-americano há vários anos, a falta de precipitação durante o auge da temporada de inverno está causando dificuldades para os turistas e para as principais estações de esqui da região metropolitana, onde foi necessário suspender o uso de 90% das pistas, segundo dados da Aceski (Associação Chilena de Estações de Esqui).

“Até agora, não tivemos a precipitação que normalmente começa nesta época do ano, mas investimos nos últimos 15 anos em sistemas e tecnologias para fabricar neve. É neve como a neve natural, mas, em vez de cair das nuvens, ela é produzida por turbinas especiais”, disse o presidente da Aceski, Michael Leatherbee, à CNN.

Para os especialistas, a situação é complexa.

“Isso não é normal. Estamos muito atrasados. A última nevasca, em 21 de junho, rendeu apenas 24 centímetros de neve, por isso estamos falando de um déficit de neve de quase 60% para um ano normal nos Andes, especialmente na região central”, relatou à CNN o meteorologista e porta-voz da DMC (Direção Meteorológica do Chile), Arnaldo Zúñiga.

“Infelizmente, as tendências que indicam mudanças climáticas mostram que estamos caminhando para uma diminuição das precipitações. E se chover menos, também nevará menos”, alertou.

Ainda assim, os centros de lazer da região, que também incluem hotéis e restaurantes, permanecem otimistas e afirmam estar trabalhando para continuar recebendo turistas.

“Você pode fazer aulas de esqui, andar no teleférico panorâmico e desfrutar de um restaurante no meio da montanha. Todas as atividades normalmente oferecidas no inverno ainda estão disponíveis, apenas em menor escala”, pontuou o presidente da Aceski.

Enquanto isso, a subsecretária de Turismo do Chile, María Paz Lagos, declarou que “o desafio é avançar rumo a um turismo de quatro estações, onde as montanhas estejam ativas o ano todo”.

“A temporada de esqui, por si só, gera aproximadamente 18 mil empregos, e queremos que essa contribuição para o desenvolvimento da região continue crescendo”, adicionou.

A DMC ressalta que nem tudo está perdido: uma frente fria vinda do sul pode trazer alívio para o centro do Chile.

“Essa frente meteorológica começa no domingo (12) e traz temperaturas mais frias. Acho que podemos ter grandes esperanças de que, embora comece a chover inicialmente, veremos neve mais tarde nas altitudes mais elevadas, acima de 2.500 metros”, conclui Zúñiga.

Segundo informações da Aceski, em 2025 as estações de esqui da região receberam mais de 1,24 milhão de esquiadores, com um impacto econômico direto de US$ 283 milhões, dos quais US$ 228 milhões correspondem à moeda estrangeira gerada pelo turismo internacional.



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