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Coruripe aumenta produção e moagem mas receita bruta cai


A Usina Coruripe divulgou seu relatório operacional-financeiro referente a maio de 2026, revelando um início de safra marcado por forte crescimento na produção agrícola e industrial, compensado parcialmente pela queda dos preços de comercialização de açúcar e etanol.

Os números acumulados da safra 2026/27 até maio mostram uma moagem de 3,34 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, crescimento de 31,1% em relação ao mesmo período da safra anterior. O desempenho foi impulsionado por ganhos de produtividade, com o TCH (toneladas de cana por hectare) avançando 16,8%, para 88,15 t/ha, e o ATR (Açúcar Total Recuperável) aumentando 3%, para 120,87 kg por tonelada de cana.

Na indústria, a produção de açúcar equivalente atingiu 7,98 milhões de sacas, alta de 38%, enquanto a produção total de etanol praticamente dobrou, alcançando 103,5 mil metros cúbicos, crescimento de 97% sobre a safra passada. A geração de energia elétrica também registrou expansão de 13,3%, chegando a 147,9 mil MWh.

Queda nos preços reduz faturamento

Apesar do aumento dos volumes produzidos, a companhia enfrentou um cenário menos favorável nos preços. O valor médio do açúcar equivalente caiu 16,5%, passando de R$ 117,36 para R$ 97,98 por saca. O açúcar VHP apresentou recuo de 22,8%, enquanto o açúcar cristal caiu 27%.

Como consequência, a receita bruta consolidada acumulada da safra atingiu R$ 457 milhões, retração de 14,4% em comparação aos R$ 534 milhões registrados no mesmo período da safra 2025/26. A receita proveniente do açúcar apresentou queda de 26,4%, enquanto a do etanol recuou apenas 2,8%.

O prejuízo líquido foi reduzido de R$ 98,7 milhões para R$ 91,1 milhões.

Já o lucro bruto cresceu 6,7%, alcançando R$ 121,9 milhões, enquanto a margem bruta passou de 22,6% para 28,1%.

O EBITDA ajustado somou R$ 130,7 milhões, queda de 14% frente ao ano anterior, mas mantendo margem praticamente estável em torno de 30%.

A dívida líquida caiu de R$ 3,75 bilhões para R$ 2,41 bilhões, redução de 35,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Considerando caixa e estoques, a queda foi ainda maior, chegando a 42,7%.

A empresa informou que recebeu, em maio, cerca de R$ 1,5 bilhão referentes à monetização de precatórios, valor que reforçou significativamente a posição de caixa e deverá impactar positivamente a redução do passivo financeiro nos próximos meses.

Perspectivas

A Coruripe mantém elevada exposição ao mercado internacional de açúcar. Para a safra 2026/27, aproximadamente 69% da produção de açúcar VHP já estava fixada até junho, com preço médio de cerca de R$ 2.033 por tonelada, reduzindo parte dos riscos de volatilidade do mercado.



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