O Brasil deveria discutir leilões de armazenamento de energia, e não especificamente de baterias, para permitir que diferentes tecnologias concorram pela solução de menor custo para o sistema elétrico. A avaliação é do diretor de estratégia, novos negócios e transformação digital da Copel, Diogo Mac Cord, que alertou para o risco de uma contratação concentrada em baterias gerar custos superiores aos benefícios proporcionados e acabar transformada em encargo para os consumidores.
As declarações foram feitas durante a terceira edição do MinutoMega Talks, evento realizado pela MegaWhat, em meio ao debate crescente sobre o uso de sistemas de armazenamento para reduzir os cortes de geração renovável, conhecidos como “curtailment”, e ampliar a flexibilidade do sistema elétrico.
Para Mac Cord, as baterias podem fazer parte da solução, mas sua contratação precisa levar em consideração quanto valor efetivamente entregam ao sistema e quem se beneficia desse investimento.
“A proporção é de um para cinco ou seis. Então, para cada bilhão de ‘curtailment’ que a bateria reduz, ela custa cinco vezes a mais. Essa é a conta. Então, se você aloca isso exclusivamente ao renovável, ele está, no final das contas, pagando por um benefício, ou pagando cinco vezes o benefício que ele está percebendo”, afirmou.
O argumento do executivo é que também seria inadequado transferir integralmente esse custo para os consumidores. Na avaliação dele, o desenho econômico precisa identificar os benefícios proporcionados pelo armazenamento e distribuí-los entre os agentes que efetivamente os recebem.
No caso dos geradores renováveis, um dos benefícios mais evidentes seria justamente a redução do “curtailment”. Com baterias capazes de armazenar parte da energia que seria cortada em períodos de excesso de geração e devolvê-la ao sistema posteriormente, esses empreendimentos poderiam evitar perdas de produção.
Segundo ele, se nenhum custo for atribuído ao gerador renovável, cria-se uma espécie de arbitragem econômica, na qual o agente recebe o benefício da redução dos cortes sem pagar por ele. Por outro lado, cobrar do renovável todo o custo do armazenamento também seria inadequado se o investimento proporcionar vantagens adicionais para o restante do sistema.
Se o armazenamento produzir outros ganhos, como aumento da confiabilidade, atendimento aos horários de ponta, prestação de serviços ancilares ou redução da necessidade de expansão de outras infraestruturas, esses benefícios teriam de ser identificados e quantificados antes da definição sobre quem deve arcar com os custos.
“Não podemos dar uma solução que dê um choque de oferta inicial que vira encargo”, afirmou.
Leilão de armazenamento
Mac Cord defende, entretanto, que o país não defina previamente qual tecnologia deverá cumprir essa função.
“Não devemos falar em leilões de baterias, mas, sim, leilões de armazenamento para avaliar as melhores tecnologias para o sistema”, afirmou.
Nesse modelo, baterias eletroquímicas poderiam disputar espaço com outras soluções capazes de armazenar energia e entregá-la nos momentos de maior necessidade.
Entre as alternativas citadas pelo executivo estão as usinas hidrelétricas reversíveis. Esses projetos utilizam dois reservatórios localizados em diferentes níveis de altitude. Em períodos de sobra de energia, a eletricidade é utilizada para bombear água para o reservatório superior. Quando a demanda aumenta, a água retorna para o reservatório inferior, passando por turbinas e produzindo eletricidade.
Por essa característica, as reversíveis são frequentemente comparadas a uma “bateria natural” de grande escala. O modelo permite armazenar energia por meio do bombeamento da água e recuperá-la posteriormente, podendo fornecer flexibilidade ao sistema durante várias horas.










