Wesley Moreno/Power Mix
Nova Mutum/MT
Nem sempre uma boa colheita significa um bom resultado financeiro. Em Nova Mutum/MT, um dos maiores polos produtores de grãos do país, os produtores comemoram uma safra de milho acima das expectativas, mas seguem atentos ao comportamento do mercado, que ainda limita a rentabilidade das propriedades.
O cenário foi apresentado pelo presidente do Sindicato Rural de Nova Mutum, Paulo Zen, durante entrevista concedida nesta segunda-feira (13) ao programa Notícias Agrícolas, comandado pelo jornalista Guilherme Dorigatti.
Segundo o dirigente, a colheita da segunda safra de milho está em estágio bastante avançado na região e os resultados obtidos até o momento têm surpreendido positivamente os produtores.
“De maneira geral, o produtor está satisfeito. A produtividade veio acima da expectativa e melhor do que a registrada no ano passado. Existem alguns casos pontuais de lavouras que não tiveram o mesmo desempenho, mas são situações isoladas”, afirmou.
Qualidade dos grãos preocupa menos do que o esperado
As chuvas registradas nos últimos dias despertaram preocupação em relação ao aumento da umidade e aos possíveis danos na qualidade dos grãos. No entanto, de acordo com Paulo Zen, até o momento esse não tem sido um problema generalizado.
Ele explica que os casos de grãos avariados observados na região estão mais ligados às características de determinadas cultivares e ao manejo realizado em cada propriedade do que propriamente às condições climáticas.
Segundo o presidente do Sindicato Rural, variedades mais sensíveis à umidade e falhas no controle de doenças acabam influenciando diretamente na qualidade final da produção.
Boa safra, mercado travado
Se a produtividade trouxe otimismo ao campo, o mesmo ainda não pode ser dito em relação ao mercado.
Apesar de registrar uma leve recuperação nas últimas semanas, o preço do milho continua abaixo do esperado pelos produtores, reduzindo as margens de lucro justamente em um momento de grande oferta do cereal.
Paulo Zen destaca que a presença da Inpasa em Nova Mutum representa uma vantagem competitiva para a região, especialmente para agricultores vinculados a cooperativas, que conseguem melhores condições de comercialização.
Mesmo assim, ele avalia que as empresas compradoras seguem cautelosas e pouco agressivas nas negociações.
“A expectativa é que, com o encerramento da colheita, o mercado reaja. Hoje o produtor está praticamente no zero a zero. Quem consegue, está armazenando a produção e aguardando um momento melhor para vender”, explicou.
Olhar já está voltado para a próxima safra
Enquanto as máquinas ainda trabalham na retirada do milho das lavouras, o planejamento para a safra de soja 2026/2027 já começou.
Segundo Paulo Zen, os produtores iniciam agora os trabalhos de correção do solo e preparação das áreas, acompanhando com atenção as previsões climáticas, principalmente diante da possibilidade de influência do fenômeno conhecido como “Super El Niño”.
A expectativa é que, dentro dos próximos 40 a 60 dias, as propriedades estejam prontas para o início do plantio.
Mesmo diante das incertezas sobre preços e clima, o presidente do Sindicato Rural acredita na resiliência do agronegócio mato-grossense.
“O produtor nunca perde a esperança. Existem anos melhores e anos mais difíceis. Agora é continuar trabalhando, cumprir os compromissos e acreditar que o mercado vai reagir”, concluiu.
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