O filme “Vicentina Pede Desculpas”, um dos seis pré-selecionados pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil no Oscar, estreia no Festival de Toronto (TIFF), uma das principais vitrines para o mercado norte-americano, neste sábado (12).
A produção integra a mostra Plataforma, seção competitiva dedicada a premiar o cinema autoral e novos talentos com visões de direção excepcionais. Em entrevista à CNN Brasil, o diretor Gabriel Martins (“Marte Um”) falou sobre a expectativa para o lançamento de seu novo filme no TIFF.
“É festival muito importante, muito forte, não só aqui na América do Norte, mas mundialmente, que tem muita tradição. Eu acho que traz uma atenção que a gente trabalhou muito para tê-la, só que nem sempre se consegue. O mercado internacional é muito competitivo”, disse.
“Não importa o tanto que a gente rale, muitas vezes o filme não consegue chegar, mas a gente conseguiu e acho que agora é celebrar de fato que todo esse esforço colocado vai ter esse encontro aqui com o público, que é muito receptivo. É um festival de público quente. Além disso, com esse selo do TIIF, que é, sem dúvida alguma, muito importante para os próximos caminhos [do filme]”, afirmou.
Depois de Toronto, ele vai para o Festival de San Sebastián, outro importante festival do cenário internacional, na Espanha, que acontece entre os dias 18 e 26 de setembro, onde o filme terá a sua estreia no mercado europeu.
A presença de “Vicentina Pede Desculpas” nos dois eventos dá força ao título para ser o escolhido da Academia Brasileira para representar o país no Oscar e tentar uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional. O anúncio está marcado para 16 de setembro.
Os outros cinco longas na disputa são: “100 Dias”, de Carlos Saldanha; “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai; “A Natureza das Coisas Invisíveis”, de Rafaela Camelo; “Feito Pipa“, de Allan Deberton; e “Nosso Segredo”, de Grace Passô.
Gabriel Martins já foi escolhido pela Academia para representar o Brasil na premiação de Hollywood, em 2023, com “Marte Um“. À CNN Brasil, a protagonista dos dois filmes do diretor mineiro, a atriz Rejane Faria, falou sobre a expectativa para este ano.
“Acho que o movimento do cinema brasileiro com relação ao Oscar multiplicou muito. Acho que despertou. Tinha muitos anos que isso não acontecia, e agora também a gente está com o pensamento de fazer uma caminhada consistente com ‘Vicentina'”, disse.
“Mais do que criar essa grande expectativa, claro que inevitavelmente a gente pensa e quer isso, claro, pensar mais em como a gente vai trilhar esse caminho e quais as marcas que a gente vai deixar com o filme por onde a gente passar até que se concretize lá na frente ou não, que a gente nem sabe se isso vai acontecer, mas mais do que isso é levar para a presença do público essa obra tão importante”, concluiu.
Sobre o que fala “Vicentina Pede Desculpas”?
Na trama, Vicentina, uma professora aposentada de 75 anos, decide buscar as famílias das vítimas de um trágico acidente de ônibus em Belo Horizonte para pedir perdão, após investigações sugerirem que o ato de seu filho Wesley, o motorista do veículo, pode ter sido intencional.
“Acho que é filme sobre realmente essa experiência de luto da personagem central, Vicentina, num caminho de encontro com os familiares das vítimas desse acidente. O título é a premissa do filme. Esse gesto dela pedir desculpas, que, no fim das contas, é sobre vivenciar um luto particular”, explicou o diretor.
Rejane, mãe de dois filhos, falou que o primeiro pensamento que teve ao ler o roteiro foi justamente nos sentimentos e no papel que essa mãe tem que passar.
“Eu fiquei pensando como eu agiria, e foi inevitável não pensar nisso. Aí eu descubro, nessa reflexão, o tamanho do envolvimento que uma mãe tem com a vida do seu filho ou com a morte dele. Eu fiquei muito impactada com essa história, com tudo que Vicentina passa nessa trajetória dela“, destacou.
“Vicentina Pede Desculpas” estreia em 5 de novembro nos cinemas brasileiros.










