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O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no sábado (23) que um acordo mais amplo entre os Estados Unidos e o Irã foi “em grande parte negociado” e que o Estreito de Ormuz será reaberto, sinalizando um possível avanço para o fim da guerra que já dura meses.

“Um acordo foi em grande parte negociado, sujeito à finalização, entre os Estados Unidos da América, a República Islâmica do Irã e os diversos outros países”, escreveu Trump em publicação na rede social Truth Social.

A agência de notícias estatal iraniana Fars contestou a afirmação de Trump, relatando que o Estreito de Ormuz permanecerá sob controle iraniano, de acordo com a versão mais recente da proposta trocada entre Washington e Teerã.

Versões recentes do memorando de entendimento mostram que o presidente americano parece estar perto de finalizar encerrariam as hostilidades com o Irã, ao mesmo tempo que reabririam gradualmente o Estreito de Ormuz e encerrariam o bloqueio americano aos portos iranianos, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto.

O acordo desbloquearia alguns ativos iranianos mantidos em bancos fora do Irã e iniciaria um prazo de pelo menos 30 dias para negociações contínuas destinadas a resolver os pontos de atrito restantes sobre o programa nuclear iraniano, incluindo o que acontecerá com o estoque de urânio enriquecido de grau quase bélico de Teerã.

Trump disse que os detalhes finais ainda estavam sendo definidos e que permanecia possível que alguns aspectos do memorando pudessem mudar.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, parabenizou Trump por seus “esforços extraordinários para buscar a paz” , mas não mencionou nenhum acordo ou o Estreito de Ormuz. Islamabad tem sido um mediador fundamental nas negociações entre Washington e Teerã.

Em vez disso, ele mencionou uma “ligação telefônica muito útil e produtiva” que Trump teve com líderes de vários estados do Golfo, Turquia, Egito, Jordânia e Paquistão, representados pelo chefe militar do país, Asim Munir.

“As discussões proporcionaram uma oportunidade útil para trocar opiniões sobre a situação regional atual e como avançar nos esforços de paz em curso”, acrescentou Sharif.

A agência de notícias Fars afirmou que as declarações de Trump sobre a reabertura do estreito “não são verdadeiras” e “inconsistentes com a realidade”.

“Embora o Irã tenha concordado em permitir que o número de embarcações que passam retorne aos níveis pré-guerra, isso de forma alguma significa ‘livre passagem’ como existia antes da guerra”, informou a agência.

Trump disse que sua ligação com os líderes regionais envolveu negociações sobre o Irã e o que ele descreveu como um memorando de entendimento vinculado à “PAZ”.

Os líderes pediram para o presidente americano durante a ligação a aceitar a estrutura proposta com o Irã, de acordo com uma pessoa informada sobre a discussão, que descreveu a conversa como encorajadora. Outra fonte regional caracterizou as conversas como positivas.

“A ligação foi muito positiva. Estamos fazendo um bom progresso. Os líderes regionais apoiaram o progresso e o avanço que o presidente Trump alcançou nas negociações”, disse à CNN um diplomata regional presente na ligação.

Trump afirmou ter tido uma ligação separada com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, “que, da mesma forma, foi muito bem-sucedida”.

“Os aspectos e detalhes finais do Acordo estão sendo discutidos e serão anunciados em breve. Além de muitos outros elementos do Acordo, o Estreito de Ormuz será aberto”, disse ele.

A principal preocupação de Israel é que haja um acordo provisório limitado que estenda o cessar-fogo, abra o Estreito de Ormuz e alivie gradualmente as sanções contra o Irã, sem abordar os pontos mais críticos para Israel — o programa nuclear de Teerã e o enriquecimento de urânio, disse uma fonte israelense. Os EUA continuaram a tranquilizar Israel sobre a questão do urânio.

Netanyahu convocará uma consulta de segurança restrita com ministros e autoridades de segurança selecionados para discutir os desdobramentos das negociações com o Irã, disse a fonte à CNN.

Trump, em entrevista por telefone à Axios, descreveu as chances de se chegar a um acordo com o Irã como “sólidas de 50/50” antes da ligação com líderes do Golfo e de outras regiões, acrescentando que poderia decidir até domingo se retomaria a ação militar.

O presidente disse que as negociações poderiam levar a um “bom” acordo ou resultar na decisão dos EUA de “destruir tudo”.

Autoridades americanas e iranianas sugeriram que podem estar mais perto de um acordo preliminar para encerrar a guerra, após mediadores do Catar e do Paquistão realizarem conversas em Teerã no sábado.

Uma fonte regional afirmou que os EUA e o Irã estão se aproximando de um acordo para trabalhar em um pacto mais detalhado no futuro.

Trump disse ao Axios que também planejava conversar com o enviado Steve Witkoff e com o conselheiro Jared Kushner, seu genro. O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, por sua vez, foi visto chegando à Casa Branca no sábado.

Anteriormente, autoridades iranianas disseram que Teerã se concentraria em pôr fim aos combates, inclusive entre Israel e o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, e em liberar seus ativos congelados no exterior. Teerã há muito busca separar as negociações de paz imediatas das negociações sobre sua capacidade nuclear.

Após reuniões em Teerã na sexta-feira (22) e no sábado, o chefe militar do Paquistão, Munir, partiu para Islamabad no final da tarde, horário local. Os militares paquistaneses afirmaram que a visita foi “altamente produtiva”, acrescentando que as conversas “contribuíram significativamente para o processo de mediação”.

“As intensas negociações das últimas 24 horas resultaram em progressos encorajadores rumo a um entendimento final”, declarou o exército em comunicado.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que prazos de 30 e 60 dias foram incluídos no texto do memorando, mas que este ainda não foi finalizado.

“Ao longo da última semana, os pontos de vista têm se aproximado”, disse ele.

“Devemos aguardar para ver o que acontecerá nos próximos três ou quatro dias”, acrescentou.

Baghaei afirmou que qualquer mecanismo relativo ao Estreito de Ormuz deve ser acordado entre o Irã, Omã e os países que fazem fronteira com a hidrovia, e que os Estados Unidos “não têm nada a ver” com isso.

O principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, adotou um tom desafiador após suas conversas com Munir, alertando que o Irã “não recuará dos direitos de nossa nação e país, especialmente ao lidar com uma parte que nunca demonstrou sinceridade e na qual não existe confiança”.

“Nossas forças armadas se reconstruíram durante o cessar-fogo de tal forma que, se Trump cometer o erro de reiniciar a guerra, certamente será mais devastador e amargo para os Estados Unidos do que o primeiro dia da guerra”, acrescentou Ghalibaf, segundo uma reportagem da emissora estatal iraniana.

(Com informações de Tal Shalev, Mitchell McCluskey, Nic Robertson, Matthew Chance, Becky Anderson, Emily Condon, Billy Stockwell, Aleena Fayaz, Jeremy Diamond e Laura Sharman, da CNN)



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