A China anunciou neste domingo (23) o adiamento de sua missão lunar Chang’e-7, projetada para vasculhar o polo sul da Lua em busca de água congelada, após uma “avaliação abrangente”, segundo a agência de notícias estatal Xinhua.
A decolagem da missão estava prevista para ocorrer já na noite deste domingo ou na manhã de segunda-feira (24), no horário de Pequim. Não está claro em quanto tempo a China poderá tentar realizar o lançamento.
O motivo exato do adiamento não ficou claro de imediato. A mídia estatal informou apenas que a “sonda lunar não atende às condições de lançamento” e que a “avaliação foi conduzida seguindo os princípios de prudência, confiabilidade e sucesso absoluto da missão”.
Tanto os Estados Unidos quanto a China estão em uma corrida para estabelecer bases no polo sul da Lua, onde se acredita que exista água congelada em abundância no interior de crateras permanentemente sombreadas.
Nenhuma missão analisou diretamente a água na Lua até o momento, algo que a Chang’e-7 tentará fazer.
Embora os EUA tenham detectado e começado a estimar o tamanho das reservas de gelo lunar utilizando sensores remotos em satélites em órbita, o país nunca enviou com sucesso uma sonda para perfurar o solo em busca desse recurso.
Uma empresa sediada no Texas, a Intuitive Machines, enviou uma sonda com perfuratriz para buscar água na Lua em 2025, mas a espaçonave tombou ao tentar pousar no terreno traiçoeiro do polo sul e não conseguiu cumprir os objetivos da missão.
No entanto, o atraso no lançamento da Chang’e-7 pode recolocar este capítulo da corrida espacial — termo usado por autoridades dos EUA para descrever a disputa com a China — em um patamar de competitividade.
Corrida para o polo sul
Os EUA têm várias espaçonaves a caminho da mesma região lunar que a Chang’e-7 tem como alvo para o próximo ano. A empresa Astrobotic Technologies, sediada em Pittsburgh, poderá lançar seu módulo de pouso Griffin rumo ao polo sul da Lua já no final de 2026.
Além disso, a Blue Origin — empreendimento espacial de Jeff Bezos — planeja enviar até dois módulos de pouso robóticos à Lua no próximo ano; um deles poderá transportar o rover VIPER, um robô de prospecção projetado especificamente pela NASA para buscar gelo de água e outros recursos lunares.
A convicção de que o polo sul lunar abriga vastas reservas de água congelada é um dos principais motivos pelos quais essa região se tornou o palco central dessa competição internacional. Esse recurso é extremamente valioso para a exploração do espaço profundo e para uma futura base lunar, pois pode ser convertido em ar respirável, água potável ou até mesmo combustível para foguetes.
Ainda não se sabe se o gelo de água existe em quantidades suficientes para essas finalidades, mas a Chang’e-7 poderá ajudar a alcançar “progressos importantes nessa questão, refinando e direcionando experimentos para futuras explorações e testes”, afirmou à CNN Yuqi Qian, geólogo lunar da Universidade de Hong Kong.
Qian observou que, com a Chang’e-7, o programa lunar da China está “passando de um programa de exploração para um programa de utilização de recursos”.










