O chefe de gabinete do presidente argentino Javier Milei, Manuel Adorni, renunciou neste sábado (27) após um escândalo que levou a investigações sobre seus gastos nos últimos anos.
Adorni, nomeado chefe de gabinete em novembro do ano passado, é um confidente próximo de Milei, que inicialmente o havia designado como seu porta-voz logo após assumir o cargo em dezembro de 2023.
“Pela primeira vez desde 10 de dezembro de 2023, vou contra a sua vontade”, disse Adorni em sua carta de renúncia a Milei, publicada na rede social X.
“Estou encerrando este capítulo. Saio em paz e com serenidade, mas, acima de tudo, com a consciência tranquila”, acrescentou.
Gracias por su confianza Presidente. Ha sido un verdadero honor.
Fin. pic.twitter.com/AJyuy6nDOY
— Manuel Adorni (@madorni) June 27, 2026
Adorni foi acusado de enriquecimento ilícito devido a despesas que parecem incompatíveis com sua renda.
Ele foi alvo de críticas por várias viagens pessoais realizadas com a família, incluindo férias em primeira classe para Aruba durante o período de Natal e um voo em jato particular para o Uruguai na época do Carnaval.
Adorni afirmou que construiu seu patrimônio antes de ingressar no governo e que todas as viagens feitas com a família foram custeadas com recursos próprios.
“Não cometi nenhum crime e vou provar isso na Justiça”, disse ele ao Congresso no final de abril, quando fez um pronunciamento sobre a situação do país.
No entanto, neste mês, ele admitiu em entrevista ao jornal La Nación que guardou dinheiro não declarado durante anos, “como todos os argentinos”. Ele informou ter retificado as declarações de 2023 e 2024 para incluir cerca de meio milhão de dólares que não haviam sido declarados anteriormente.
“Faço um mea culpa por ter arrastado um erro involuntário, e vou pagar tudo o que for devido”, declarou.
Milei já havia defendido Adorni anteriormente, afirmando ao La Nación em maio que “de jeito nenhum Adorni sairia” e que ele “não iria condenar um inocente”.
Nas últimas semanas, Milei começou a enfrentar as repercussões de denúncias de suposta corrupção em seu governo, bem como a perda de poder de compra frente à inflação.
Segundo uma pesquisa da Opina Argentina realizada em maio, 39% dos eleitores têm uma imagem positiva de Milei, cuja taxa de aprovação era de 53% há mais de um ano.











