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Cânceres de vulva e vagina são raros, mas exigem atenção aos sinais do corpo




Pouco conhecidos quando comparados a outros tumores ginecológicos, os cânceres de vulva e vagina também merecem atenção. Embora sejam considerados raros, esses tumores estão associados a fatores como o envelhecimento e a infecção pelo papilomavírus humano (HPV). Em 2022, foram estimados cerca de 18,8 mil novos casos e 8,2 mil mortes por câncer de vagina em todo o mundo, segundo dados do Global Cancer Observatory (Globocan).
Em relação à incidência, a maior parte dos novos casos ocorreu na Ásia, que concentrou 10.171 registros, correspondendo a 54% do total. Na sequência, aparecem a Europa, com 3.164 casos (16,8%), a África, com 2.054 (10,9%), a América do Norte, com 1.664 (8,8%), a América Latina e o Caribe, com 1.618 (8,6%), e a Oceania, com 148 casos (0,79%).
No câncer de vagina, parte interna da genitália feminina, o sangramento vaginal indolor é o sintoma de apresentação mais comum, seguido por corrimento anormal, sintomas urinários, dor pélvica e sensação de massa vaginal. Já o câncer de vulva, parte externa da genitália feminina, é mais frequente após a menopausa, os principais sinais são coceira persistente, manchas ou mudanças na cor e textura da pele e feridas que não cicatrizam. Segundo o cirurgião oncológico da Oncomed-MT, Rafael Moura (CRM: 7583/MT | RQE N.: 5824), os dois tumores podem ser assintomáticos em uma proporção relevante de casos, sendo identificados durante exames de rotina ou na investigação de outras alterações.
A presença desses sintomas não significa necessariamente câncer, mas alterações persistentes devem ser investigadas por um médico. A avaliação começa pelo exame ginecológico e, diante de uma lesão suspeita, pode ser necessária a realização de uma biópsia, procedimento que permite analisar o tecido em laboratório e confirmar ou não a presença de células cancerígenas. “Após a confirmação, exames de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética, podem ser solicitados para determinar a extensão da doença”, explica.
Entre os principais fatores de risco para os dois tipos de câncer está a infecção persistente pelo vírus HPV de alto risco. O tabagismo, o histórico de múltiplos parceiros sexuais e as verrugas genitais também são apontados pelo especialista como fatores associados. No câncer de vulva, lesões crônicas na genitália feminina podem contribuir para o desenvolvimento da doença. “Já no câncer de vagina, o histórico prévio de câncer de colo de útero ou de radioterapia pélvica pode aumentar o risco”, enfatiza o médico.
Câncer possível de prevenção – A vacina contra HPV é uma das principais formas de prevenir estes tipos de canceres. Disponível gratuitamente pelo SUS, ela é indicada para meninas e meninos de 9 a 14 anos, em dose única, especialmente antes do início da vida sexual. Outras medidas importantes são as consultas regulares ao ginecologista, que permitem identificar precocemente possíveis alterações.
Tratamento – Ainda de acordo com o cirurgião oncológico, o tratamento varia conforme o tipo e o estágio do tumor. Ele explica que as modalidades disponíveis incluem cirurgia, radioterapia e quimioterapia, que podem ser utilizadas de forma isolada ou combinada. “No câncer de vulva, a cirurgia é uma das principais opções e pode incluir a retirada da lesão e, em determinados casos, dos linfonodos próximos. Para o câncer de vagina, a radioterapia e a cirurgia estão entre as estratégias utilizadas, conforme as características de cada caso”.
Setembro em flor — Campanha dedicada à conscientização sobre os cinco principais cânceres ginecológicos: colo do útero, endométrio, ovário, vulva e vagina, reforça a importância de ampliar o conhecimento sobre essas doenças.
Neste mês, o convite é para que as mulheres conheçam o próprio corpo, não ignorem alterações persistentes e mantenham o acompanhamento de saúde em dia. O diagnóstico precoce pode ampliar as possibilidades de tratamento e contribuir para melhores resultados no enfrentamento da doença.
Diretor técnico responsável: Marcelo Benedito Mansur Bumlai CRM-MT 2663



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