O número de inadimplentes no Brasil atingiu a marca de 81,4 milhões de pessoas em fevereiro deste ano, representando o maior patamar desde 2020, ano da pandemia.
Os dados foram divulgados pela Serasa, que realiza este levantamento mensalmente para acompanhar o cenário da inadimplência no país.
Segundo Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira, houve um crescimento de mais de 36% no número de inadimplentes quando comparado a 2016.
“A inadimplência pode ser explicada por diversos fatores. Existem os fatores externos que estão relacionados à economia, aos juros, à taxa de emprego, mas a gente também olha para fatores internos que estão relacionados ao comportamento do consumidor e como que a renda dele está comprometida”, explicou em entrevista exclusiva ao CNN Money.
De acordo com a especialista, o crédito continua sendo o principal motivo da inadimplência do brasileiro.
Nos últimos meses, a renda da população tem ficado cada vez mais comprometida com gastos essenciais como água, luz, gás e aluguel. Quando a maior parte da renda está destinada a esses gastos básicos, o uso do cartão de crédito com juros no rotativo acaba levando à inadimplência.
O caminho para reverter o cenário
Para quem está endividado, Aline recomenda criar um “raio-x” da vida financeira, identificando quais dívidas estão prejudicando mais o orçamento e priorizando seu pagamento.
“É importante esse exercício de criar um raio-x nas suas finanças e ver, de fato, qual dívida está te prejudicando mais, qual dívida está em negativação, que não está permitindo seu acesso ao crédito”, orientou.
A especialista também sugere buscar oportunidades que facilitem o pagamento das contas com descontos. O feirão Serasa Limpa Nome, por exemplo, oferece descontos que podem chegar a 90% em contas atrasadas e negativadas, o que pode dar um alívio para o orçamento das famílias.
Apesar do cenário desafiador, há sinais positivos. Uma pesquisa realizada pela Serasa mostrou que 80% dos entrevistados desejam organização financeira para 2026.
“A gente acredita muito que os brasileiros estão, sim, em busca de educação financeira”, afirmou Aline.
A especialista ressalta que o crédito não deve ser visto como vilão, mas também não pode ser considerado uma extensão da renda.
“Se o consumidor for tomar o crédito, o que não é algo negativo, é preciso ter muita consciência de quando vai tomar, qual modalidade de crédito é melhor para aquela necessidade dele e qual vai ser o juros aplicado em cima dessa dívida a longo prazo”, finalizou.

