O Brasil deve aumentar exportações de etanol na safra de cana-de-açúcar 2026/27 ante o ciclo anterior, destaca Maria Ligia Barros, responsável por precificação de etanol da Argus.
Um dos principais motivos do projetado aumento é o recorde de produção previsto, com os embarques mais volumosos esperados para este trimestre.
Ao JornalCana, Maria Ligia explica os motivos da projeção de alta nas exportações do biocombustível:
- 20% a mais: Participantes de mercado esperam exportações de 1,535 milhão de m³ entre 1º de abril de 2026-31 de março de 2027, segundo mediana de projeções apuradas em levantamento da Argus. Isso significaria uma alta de 20pc frente os 1,28 milhão de m³ embarcados em 2025-26, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
- Previsões: O Brasil exportou 168.742m³ entre abril-junho, em um início de safra fraco para vendas no mercado externo, e mais 178.480m³ em julho. Restariam 1,18 milhão de m³ a serem exportados entre agosto 2026-março 2027, conforme as previsões do mercado.
- Quando: A maior parte dos volumes deve ficar concentrada entre julho-setembro, em função de uma breve abertura da janela de oportunidade em mercados onde Brasil compete contra os Estados Unidos.
- Valores: O preço do etanol hidratado negociado em base PVU em São Paulo chegou a R$2.513/m³ equivalente Ribeirão Preto em 28 de julho de 2026, mínima desde 12 de março de 2024. Desde então a cotação já recobrou R$230/m³, para R$2.743/m³ na cotação mais recente, de 13 de agosto de 2026.
- Para onde: Produtores e exportadores brasileiros fecharam embarques para destinos como Índia, Nigéria, Filipinas, Coreia do Sul e países da Europa com previsão de saída entre julho-setembro. Agências marítimas veem cargas de até 220.000m³ de etanol previstas para embarcar em agosto.
- Filas: O maior movimento, inclusive, contribuiu para a formação de filas nos portos do Sudeste, enquanto o setor de combustíveis também observa a chegada de volumes expressivos de gasolina importada.
- Janela: Parte dos agentes vê pouca chance de outra janela de oportunidade semelhante se abrir novamente até o fim da safra.
- EUA: O etanol dos EUA costuma ficar mais competitivo a partir de outubro ou novembro e até março, meses mais frios no hemisfério norte e historicamente de menor consumo de combustíveis. É próximo do início da entressafra de cana-de-açúcar no Centro-Sul — principal região produtora de etanol do Brasil —, quando preços domésticos tendem a subir.
- El Niño: Sobretudo diante da possibilidade de o El Niño trazer chuvas irregulares que atrapalhem a moagem neste ciclo.
- Futuros: A curva futura de Chicago precifica queda nos preços do etanol dos EUA até março de 2027, voltando a subir a partir de abril de 2027. Já os futuros do etanol hidratado brasileiro na B3 veem preços em alta entre setembro de 2026-janeiro de 2027.
- Possibilidade: Parte dos agentes vê possibilidade de as exportações somarem cerca de 1,4 milhão de m³, nos cenários mais baixistas, com produção de etanol abaixo do esperado ou sem compradores do produto brasileiro no mercado internacional.
- Expansão: Os participantes esperam recorde de produção 2026-27 , graças à expansão das operações a partir do milho, à recuperação dos canaviais da seca de 2024,e a um menor mix de açúcar nas usinas sucroenergéticas.
- Conab: A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta 40,68 milhões de m³ de etanol produzidos em 2026-27 no Brasil. Se confirmado, setá o maior patamar da série histórica de 21 anos.










