O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou nesta segunda-feira (13) um financiamento de R$ 100 milhões para apoiar o projeto de níquel e cobalto desenvolvido pela Brazilian Nickel no Piauí.
Os recursos serão destinados à Piauí Níquel Metais, subsidiária integral da companhia britânica, para a aquisição de máquinas, equipamentos e serviços industriais utilizados no processamento dos minerais em Capitão Gervásio Oliveira, no sul do estado.
O projeto prevê capacidade para produzir 27 mil toneladas de níquel e 900 toneladas de cobalto por ano, com a primeira produção prevista para 2030, segundo a Brazilian Nickel.
O principal produto será o MHP, sigla em inglês para precipitado de hidróxido misto, um produto intermediário composto por níquel e cobalto.
Esse material ainda não é o metal final, mas serve como insumo para o refino posterior, etapa na qual o níquel é transformado em produto de maior pureza, utilizado principalmente na fabricação de baterias, ligas metálicas e aplicações industriais estratégicas.
Ainda assim, representa uma etapa de maior valor agregado do que a simples extração e exportação do minério, por concentrar os metais em um produto químico que pode ser direcionado à cadeia de veículos elétricos e a outras aplicações industriais.
A expectativa da Brazilian Nickel é comercializar a produção no mercado internacional, em meio à busca de Estados Unidos, União Europeia e outras economias por fornecedores de minerais críticos fora das cadeias controladas ou dominadas pela China.
Segundo o BNDES, o financiamento poderá ser usado na compra de máquinas, sistemas industriais, componentes, bens de informática e automação produzidos no Brasil, além da contratação de serviços nacionais. Equipamentos importados também poderão ser financiados quando não houver similar nacional.
O apoio não corresponde ao investimento total necessário para colocar a mina em operação, mas ao financiamento de parte dos equipamentos e serviços industriais do empreendimento.
Apesar do avanço no processamento, o projeto não prevê, em sua configuração atual, a conversão do MHP em sulfatos de níquel e cobalto ou a fabricação de componentes para baterias no Brasil. O material intermediário deverá ser vendido a refinarias e indústrias no mercado global.
O níquel é um dos principais minerais críticos da transição energética. Ele é utilizado na fabricação de baterias de íons de lítio, especialmente em tecnologias de maior densidade energética, empregadas em veículos elétricos, sistemas de armazenamento de energia, além de aplicações na indústria aeroespacial, defesa e aço inoxidável.
Estratégia para minerais críticos
O financiamento ao projeto no Piauí ocorre em meio a uma mudança na atuação do banco no setor mineral. A estratégia do governo é ampliar a presença do BNDES no financiamento de projetos de minerais críticos, principalmente aqueles que prevejam processamento e agregação de valor no país.
Além da concessão de crédito, o banco avalia entrar diretamente como sócio de empresas do setor por meio da BNDESPar, seu braço de participações. A ideia é utilizar instrumentos de renda variável para dividir os riscos de projetos que exigem elevado investimento inicial e têm longo prazo até o início da produção.
O BNDES também participa, ao lado da Vale, de um fundo voltado a empresas de pequeno e médio porte com projetos de pesquisa, desenvolvimento e implantação de minas de minerais estratégicos.
A atuação faz parte da tentativa do governo de evitar que o Brasil permaneça apenas como fornecedor de minério bruto e avance em etapas como beneficiamento, separação, refino e fabricação de componentes.











