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BMW e Mercedes apostam em design “retrô futurista” para novos elétricos


A Mercedes e a BMW, duas das maiores e mais tradicionais montadoras de automóveis, recentemente lançaram as versões elétricas de seus respectivos sedans mais populares: a I3 e a Classe C Elétrica. Ambas deixam clara a intenção de ousar no design, porém resgatando linguagens clássicas.

A BMW vai além do design, chamando este novo momento dos elétricos da marca de “Neue Klasse”, uma alusão ao icônico período de mesmo nome dos anos 60. Na época, a montadora mudou drasticamente a mecânica e linguagem de design dos carros.

Esta nova tendência de “olhar para trás para seguir adiante” aparenta ser uma estratégia de sobrevivência calculada. Quando a BMW resgata o nome e o conceito da “Neue Klasse”, e a Mercedes não simplesmente eletrifica a Classe C, mas mantém proporções e detalhes visuais que representam décadas passadas, elas tentam resolver um dos maiores problemas na vanguarda elétrica atualmente: a perda de identidade.

Por que a falta de identidade?

A aerodinâmica em carros a combustão já é importante para fins de estabilidade, performance e um pouco de eficiência de combustível, mas nos elétricos cada centésimo reduzido no coeficiente aerodinâmico importa para a autonomia da bateria.

Essa dependência do formato ideal para eficiência do carro torna os designs dos carros elétricos bastante semelhantes entre todas as categorias. O design arredondado e liso, associado à “bolha”, já virou sinônimo de carro elétrico e, ainda mais no Brasil, de carros chineses, que estão se popularizando e utilizam muito desta filosofia de design.

Ao resgatar a curva Hofmeister e o estilo de grade da clássica BMW 1800, modelo estreante da Neue Klasse original, a BMW garante uma identidade clássica e bastante reconhecível aplicada de uma maneira futurista, com as silhuetas inteiras em LED.

O mesmo ocorre com a Mercedes, que resgata o formato de três volumes e a icônica grelha retangular e saltada. As alemãs querem se distanciar das novas montadoras de elétricos, ao mostrar que o trem de força mudou e a tecnologia avançou, mas que a “alma” dos veículos continua a mesma.

Mantendo a postura

Especialmente em marcas de luxo, sejam de carros ou de qualquer outro setor, a herança da marca, ou heritage, é grande parte do que justifica o preço e a experiência premium.

Quando se compra um Mercedes ou um BMW, muito conforto e tecnologia são de se esperar, mas tão importante quanto esses quesitos é a sensação de comprar um produto que faz parte de uma família, que existe há muito tempo, revolucionou a indústria, ganhou corridas, teve celebridades icônicas como clientes, e assim por diante.

Portanto, se os modelos elétricos dessas marcas se aproximam mais dos concorrentes chineses do que de um passado extenso e glorioso, parte do fator premium é perdido e com ele parte dos compradores.

Uma fração desta postura também tenta resgatar a sensação analógica atrelada ao carro. O carro elétrico não precisa de uma grelha, afinal de contas, ele não tem radiadores para resfriar um motor à combustão que esquenta por conta das explosões dentro dos cilindros. A escolha de manter o design de uma grelha, além de tudo já mencionado acima, traz a familiaridade do analógico.

Mudanças tecnológicas e de UX, ou experiência do usuário, repentinas podem assustar os clientes de marcas tradicionais, assim como qualquer produto que passa por uma mudança muito drástica. O relógio, por exemplo, passou por uma grande revolução com os smartwatches, que oferecem apenas melhorias na praticidade e na quantidade de informação disponibilizada na tela, ou na antiga “caixa”, mas sempre é oferecida a opção de um layout “clássico”, com ponteiros e um design mais tradicional.

Os modelos

O primeiro modelo elétrico da classe mais popular da Mercedes, o C400 4Matic Electric 2027, conta com autonomia máxima de 762 Km no ciclo WLTP e entrega 489 cv de potência. A nova arquitetura do elétrico permite uma recarga de cerca de 325 Km de autonomia em apenas 10 minutos. A Mercedes diz que a partir de 2027 deve oferecer outras opções de bateria, incluindo uma com autonomia máxima prevista de 800 Km.

A i3 50 xDrive, primeira versão conhecida da I3 e segundo modelo a integrar a nova família “Neue Klasse”, entrega 469 cv de potência e conta com autonomia máxima de 900 Km no ciclo WLTP. Em 10 minutos é capaz de recuperar 400 Km de autonomia e suporta carregamento bidirecional, tornando possível fornecer energia para aparelhos externos ou até uma residência.

*Sob supervisão de Gabriela Maraccini, da CNN Brasil

 



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