A retomada da reprodução do pássaro jacutinga (Aburria jacutinga) em uma área de manejo florestal no Paraná evidencia uma mudança silenciosa no agro brasileiro: a biodiversidade começa a ganhar espaço como parte da estratégia produtiva.
O primeiro ovo da espécie em vida livre foi identificado em janeiro de 2026, no Parque Ecológico Klabin, em Telêmaco Borba, após a reintrodução de 30 indivíduos realizada em 2022. A ave, considerada ameaçada, estava extinta localmente.
O ovo foi encontrado em área vulnerável e precisou ser levado para manejo assistido. O filhote nasceu em ambiente controlado e segue sob cuidados antes de eventual retorno à natureza.
“A postura do ovo por uma fêmea reintroduzida aponta que as aves estão retomando seu ciclo reprodutivo na natureza, etapa essencial para a recuperação populacional da espécie”, afirma Paulo Henrique Schmidlin, Coordenador de Biodiversidade da Klabin.
A Jacutinga desempenha papel essencial na saúde da Mata Atlântica por atuar como importante dispersora de sementes, contribuindo para a manutenção e regeneração do ecossistema.
Produção e preservação no mesmo território
O caso ocorre dentro do parque mantido pela Klabin desde os anos 1980, espaço de 10 mil hectares onde a empresa também promove atividades de educação ambiental e o desenvolvimento de pesquisas científicas com a fauna e a flora locais. O local abriga atualmente 120 animais de 30 espécies diferentes.
A iniciativa integra um conjunto de projetos voltados à recuperação de fauna em áreas produtivas. Entre eles, estão também a soltura de papagaios-do-peito-roxo (Amazona vinacea) na região dos Campos Gerais.
As iniciativas fazem parte dos Objetivos Klabin para o Desenvolvimento Sustentável (KODS), conjunto de metas alinhadas à Agenda 2030 da ONU e que integram compromisso ambiental, desenvolvimento social e geração de valor.
“Conduzir a reintrodução de pelo menos duas espécies extintas localmente é uma das metas previstas nos KODS. O nascimento deste filhote reforça que nosso compromisso ambiental de longo prazo está sendo cumprido”, afirma Julio Nogueira, gerente de Sustentabilidade e Meio Ambiente da Klabin.
O executivo também explica à CNN que em todos os 900 mil hectares onde a Klabin atual, 41% são destinados à preservação ambiental. “Nessas áreas, há monitoramento contínuo de biodiversidade, com centenas de espécies de fauna e milhares de espécies de flora acompanhadas.”
Impacto no agro
Embora pareça um tema distante da produção, a volta da jacutinga tem implicações diretas no ambiente rural. Ao dispersar sementes, a ave contribui para a recomposição da vegetação, o que influencia a qualidade do solo, a retenção de água e o equilíbrio do microclima.
Em regiões com alto grau de degradação, a ausência de fauna pode comprometer a regeneração natural e, consequentemente, a qualidade ambiental das áreas produtivas.
Monitoramento e desafios
Desde a soltura, os animais são acompanhados por telemetria, armadilhas fotográficas e observação direta. Para estimular a reprodução, foram instalados ninhos artificiais e realizado o plantio de espécies alimentares, como o palmito.
O registro do ovo é considerado um avanço, mas ainda inicial. Especialistas apontam que a consolidação da espécie depende da continuidade da reprodução em ambiente natural e da redução de riscos, como predadores e perda de habitat.
Nogueira também ressalta, que além das questões ligadas a ambiente, a adoção de práticas de conservação também responde a mudanças no mercado agro, que passam a ter acesso a financiamentos mais baratos e melhores condições de crédito. “É uma solicitação de muitos fundos e muitos mercados e nos permite ter dinheiro mais baratos, além de destravar barreiras de vendas no exterior”, conta Nogueira.










