A Câmara Municipal de Lucas do Rio Verde foi palco de uma audiência pública marcada por casa cheia e debate intenso sobre o futuro da BR-163 no perímetro urbano. Os 350 assentos disponibilizados foram totalmente ocupados, evidenciando o interesse da população em discutir o projeto do contorno viário e as alternativas para a travessia urbana da rodovia.
O encontro teve início com a apresentação do secretário de Desenvolvimento Econômico, Planejamento e Cidade, Danilo Messias, que relembrou o histórico das discussões iniciadas ainda em 2013 sobre a necessidade de retirar o tráfego pesado do centro da cidade, com a criação de um contorno rodoviário. Na sequência, o representante da Nova Rota do Oeste, Roberto Madureira, apresentou dados indicando que a maior parte dos veículos que cruzam o município apenas passa pela cidade, tendo como destino outras regiões do norte do Estado. Foram estudados quatro modelos para o contorno viário, ajustados conforme as projeções de crescimento do município e a esperada chegada de linhas ferroviárias.
Apesar do caráter técnico, a audiência foi marcada por momentos de tensão, com manifestações de grupos contrários ao desvio da rodovia, defendendo a manutenção do traçado atual com investimentos em viadutos e melhorias na travessia urbana.
Participação popular e encaminhamentos
O presidente da Câmara, Airton Callai, destacou a forte participação popular e o papel do Legislativo no processo. “Nós sabíamos que viria muita gente, mas mesmo assim a casa lotou. O nosso papel é ouvir a população, como determina o regimento e a Constituição”, afirmou.
Segundo ele, todas as manifestações serão consolidadas em um documento que será encaminhado ao Executivo municipal. “Vamos reunir tudo o que foi falado, tanto por quem é contra quanto por quem é a favor, e levar ao prefeito. Precisamos pensar no presente e no futuro, sem deixar ninguém de lado”, completou, citando ainda a possibilidade de um viaduto na Avenida Universitária como medida emergencial.
Visão de futuro e logística
O prefeito Miguel Vaz avaliou o encontro como produtivo e reforçou a importância estratégica do contorno viário. “Foi uma oportunidade para esclarecer à população a importância desse projeto para o futuro da cidade. Estamos falando de conectar rodovia, ferrovia e aeroporto, transformando Lucas do Rio Verde em um grande centro logístico do Brasil”, destacou.
Sobre as preocupações do comércio, ele ponderou que o impacto tende a ser menor do que se imagina. “Pelo menos 80% dos veículos que passam hoje não param na cidade. Com a remodelação da avenida, o comércio pode até sair ganhando”, afirmou. O prefeito também assumiu o compromisso de iniciar o projeto de um viaduto no cruzamento da Avenida das Nações com a Universitária.
Projeto de longo prazo
Representando a concessionária, Roberto Madureira ressaltou o caráter estratégico da proposta. “É raro ver uma audiência pública tão participativa. Estamos trazendo uma solução pensada para 30, 40, até 50 anos à frente”, disse. Ele explicou que o projeto já teve etapas importantes concluídas e aguarda validação da ANTT para avançar. “Após aprovação, seguimos para aditivo contratual e, na sequência, licitação. A execução deve levar entre 24 e 30 meses”, detalhou.
Madureira também mencionou intervenções de curto prazo para melhorar o tráfego atual. “Estamos estudando medidas que podem melhorar em até 40% ou 50% os pontos críticos, com ajustes como alargamento de pistas e mudanças na sinalização”, explicou.
Preocupação do comércio
O presidente da CDL, Petronilio de Souza, destacou que a audiência foi importante para dar voz ao setor. “Mais de 60% dos comerciantes se posicionam contra a retirada da BR da cidade. A principal preocupação é a desvalorização e o impacto nos negócios”, afirmou.
Ele ressaltou que a entidade continuará acompanhando o tema. “Nosso papel é trazer essa preocupação e buscar soluções junto ao poder público. Não queremos polêmica, queremos diálogo”, pontuou.
Divergências e posicionamentos
Entre os vereadores, o tom também foi de debate. Hélio Kaminski defendeu a permanência da rodovia no traçado atual, ao menos neste momento. “De cada quatro pessoas, três querem a BR onde está, com duplicação e travessias. Precisamos respeitar essa vontade”, disse, demonstrando preocupação com os impactos econômicos e a capacidade do município de assumir a manutenção da via.
Já o vereador Márcio Albieri destacou a importância do debate público e a possibilidade de conciliar soluções. “Uma opção não precisa excluir a outra. É possível ter o contorno e também melhorias na travessia urbana, como o viaduto na Avenida Universitária”, afirmou.
Debate segue em aberto
A audiência pública evidenciou que o tema ainda divide opiniões, mas também reforçou a importância da participação popular nas decisões que impactam diretamente o crescimento da cidade. Com encaminhamentos previstos e novos estudos em andamento, o futuro da BR-163 em Lucas do Rio Verde segue em discussão, entre o desafio de resolver demandas imediatas e a necessidade de planejar o desenvolvimento para as próximas décadas.
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