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Aporte do Japão pode elevar potencial do grafite no Brasil em R$ 62 bilhões


O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), com recursos do governo do Japão, vai financiar um estudo para ampliar o conhecimento geológico e o potencial de grafite no Brasil, mineral considerado estratégico para a produção de baterias e tecnologias da transição energética.

A iniciativa faz parte do projeto BR-T1690, que prevê um levantamento eletromagnético de alta resolução na província grafítica Minas-Bahia, uma das principais áreas com potencial para o mineral no país. Os trabalhos serão realizados pelo SGB (Serviço Geológico do Brasil). No projeto completo, serão investidos US$ 890 mil pelo governo japonês.

Segundo o documento, a região possui atualmente cerca de 52 milhões de toneladas de grafite estimadas, mas estudos preliminares indicam potencial adicional, tanto em extensão lateral quanto em profundidade das mineralizações já conhecidas.

O objetivo do projeto é identificar novas ocorrências e avaliar a continuidade das zonas mineralizadas por meio de tecnologias geofísicas avançadas.

De acordo com o BID, caso o potencial seja confirmado, as reservas da região poderiam crescer em torno de 20%, o equivalente a aproximadamente 10,4 milhões de toneladas adicionais.

Considerando o preço médio do grafite natural, estimado em cerca de US$ 1.200 por tonelada, isso representaria um potencial econômico superior a R$ 62 bilhões.

“Isso poderia aumentar as reservas estimadas na província em cerca de 20%, a partir das atuais 52 milhões de toneladas, considerando as mineralizações já identificadas na área de estudo. Dado o preço do grafite natural, estimado em US$ 1.200 por tonelada, isso representaria um aumento superior a R$ 62 bilhões no valor do grafite”, diz o BID.

Além de identificar novas áreas, o estudo também prevê a classificação de alvos exploratórios, com indicação de prioridade para futuras campanhas de perfuração.

O levantamento também deve gerar mapas detalhados, modelos geológicos e recomendações técnicas para novas fases de exploração.  Após a conclusão dos estudos, os dados gerados terão caráter público e serão disponibilizados pelo SGB.

Apesar do potencial, transformar esses recursos em produção efetiva exige tempo e investimentos elevados.

Projetos de grafite, assim como outros minerais críticos, demandam anos de estudos geológicos, licenciamento ambiental, desenvolvimento de infraestrutura e construção de plantas de processamento, além de enfrentar desafios técnicos e de mercado, o que significa que a ampliação das reservas não se traduz automaticamente em produção no curto prazo.

O grafite é considerado um mineral crítico para a transição energética, principalmente por seu uso em ânodos de baterias de veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia.

O minério também tem importância crescente para o setor de defesa. Além de ser essencial para baterias utilizadas em drones, sistemas autônomos e equipamentos militares portáteis, o material é empregado em aplicações estratégicas como componentes eletrônicos, blindagens leves e materiais de alta resistência.

Segundo a IEA (Agência Internacional de Energia), a cadeia do grafite é uma das mais concentradas entre os minerais críticos usados em baterias.

A agência afirma que a China responde por cerca de 80% da mineração de grafite e por mais de 90% do refino, o elo mais estratégico para a produção de material anódico.

A IEA também afirma que a demanda global por grafite deve dobrar até 2040 no cenário atual e quase quadruplicar em um cenário alinhado à neutralidade de carbono, impulsionada sobretudo pela expansão das baterias e veículos elétricos.

Nesse contexto, o BID avalia que a ampliação do conhecimento geológico da província Minas-Bahia pode fortalecer o papel do Brasil no mercado global de materiais para baterias e na cadeia de minerais críticos.

 



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