A expectativa pelo resultado das eleições, a exposição constante a notícias e as discussões políticas podem intensificar a ansiedade e o desgaste emocional durante o período eleitoral. Segundo a psicóloga Luciane Rabello, a incerteza em relação ao cenário político pode contribuir para uma sensação de perda de controle e aumentar a tensão diante de decisões que afetam a coletividade.
A especialista explica que a exposição contínua a informações e debates acalorados pode manter o organismo em estado de alerta, dificultando o relaxamento e a capacidade de avaliar situações com tranquilidade.
“Quando somos bombardeados por discussões acaloradas, notícias em tempo real e incertezas sobre o futuro, nosso sistema nervoso entra em estado de alerta contínuo”, afirma Luciane.
A psicóloga também chama a atenção para a importância de reconhecer os próprios limites diante dos acontecimentos políticos. Segundo ela, a preocupação com o resultado eleitoral pode se tornar desgastante quando o indivíduo concentra sua atenção em situações sobre as quais não tem controle direto.
Nesse contexto, a expressão “estresse eleitoral” é utilizada para descrever o desgaste emocional associado à expectativa, às incertezas e à tensão durante as eleições. Luciane destaca que algumas medidas de autocuidado podem ajudar a lidar com esse período e a reduzir a sobrecarga de informações antes da votação.
Como controlar a ansiedade antes de votar
Para Luciane, a preparação para o dia da eleição também envolve cuidados com a saúde emocional. A psicóloga recomenda cinco estratégias para lidar com a tensão e evitar que a exposição excessiva a informações prejudique o bem-estar.
1. Reduzir o tempo nas redes sociais
A psicóloga recomenda diminuir a exposição a telas, notícias e discussões políticas, especialmente na véspera da votação. Segundo ela, acompanhar continuamente debates e mensagens sobre as eleições pode aumentar a sensação de tensão.
A orientação é estabelecer limites para o consumo de informações e reservar momentos para atividades que favoreçam o descanso e o relaxamento.
2. Fazer exercícios de respiração
Em situações de ansiedade, como ao enfrentar filas ou se aproximar do local de votação, Luciane sugere recorrer à respiração consciente para tentar reduzir a tensão.
A técnica indicada pela especialista consiste em inspirar durante quatro segundos, manter o ar por mais quatro segundos e expirar ao longo de seis segundos, respeitando os próprios limites. A prática pode ajudar a desacelerar a respiração e favorecer a sensação de calma.
3. Levar os números dos candidatos anotados
Outra recomendação é preparar antecipadamente a chamada “colinha” eleitoral, com os números dos candidatos escolhidos anotados em papel.
De acordo com Luciane, essa organização pode diminuir a preocupação com esquecimentos na cabine de votação e tornar o procedimento mais tranquilo.
4. Concentrar a atenção no que está ao próprio alcance
A psicóloga orienta que os eleitores diferenciem as ações que dependem de suas decisões individuais dos acontecimentos que não podem controlar.
Embora o resultado geral dependa da votação coletiva, cada eleitor pode se preparar para exercer seu direito de voto de maneira consciente. Para Luciane, reconhecer esses limites pode ajudar a reduzir a preocupação excessiva com o desfecho da eleição.
5. Evitar discussões políticas de última hora
A especialista também recomenda evitar confrontos e debates acalorados antes de votar, especialmente quando não há disposição para uma conversa respeitosa.
Segundo Luciane, entrar em discussões nas filas ou no caminho até a seção eleitoral pode acrescentar tensão desnecessária a um momento já marcado pela expectativa. A orientação é preservar a atenção e evitar situações que possam intensificar o desgaste emocional.
Como lidar com a expectativa pelo resultado
A ansiedade não se limita ao momento de votar. A expectativa pela apuração também pode prolongar a tensão, especialmente entre pessoas que acompanham as notícias e as atualizações sobre o resultado em tempo real.
Luciane recomenda estabelecer limites para acompanhar a apuração e intercalar o consumo de informações com outras atividades. A psicóloga também destaca a importância de reconhecer que o resultado eleitoral não depende da ação individual de um único eleitor.
Para a especialista, o cuidado com o próprio estado emocional ajuda a atravessar o período eleitoral com mais tranquilidade. A proposta não é deixar de acompanhar a política ou ignorar os acontecimentos, mas encontrar uma forma de se informar sem permanecer continuamente exposto a situações de tensão.









