Chanceleres de oito países de maioria muçulmana emitiram uma declaração conjunta condenando os planos israelenses de deslocamento forçado dos palestinos na Faixa de Gaza. O documento reúne as posições de Turquia, Egito, Indonésia, Jordânia, Paquistão, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
A declaração surge em resposta às falas de ministros israelenses de Segurança Nacional e de Defesa sobre mecanismos para remover os palestinos de Gaza à força de suas terras. Segundo os chanceleres, tais afirmações violam o direito internacional e humanitário.
O grupo alertou para as graves consequências de transformar essas propostas em políticas oficiais. Os chanceleres afirmaram ainda que as tentativas de deslocamento forçado desafiam o plano de paz de Donald Trump para encerrar a guerra no território palestino.
Para o analista Lourival Sant’Anna, no CNN Prime Time, a capacidade real desses países de pressionar Israel é bastante reduzida. “O único que tem uma proximidade maior e até uma aliança militar com Israel são os Emirados Árabes Unidos, uma aliança recente, mas nenhum deles tem a capacidade de gerar um impacto político sobre Israel”, afirmou.
Segundo ele, o efeito costuma ser até inverso: “Quando países muçulmanos e árabes dizem que Israel deve fazer determinada coisa, Israel costuma fazer o contrário.”
Lourival Sant’Anna destacou que apenas os Estados Unidos detêm capacidade real de influência sobre Israel. “As armas que Israel usa, as mais sofisticadas, a maior parte dessas armas, as mais pesadas, os aviões, os mísseis, antimísseis Patriot, são de fabricação americana, e os Estados Unidos, por isso, têm poder de veto sobre o uso dessas armas”, explicou o analista.
Contexto eleitoral e situação humanitária
Sant’Anna apontou que parte da linguagem sobre expulsão dos palestinos está relacionada ao contexto eleitoral israelense. Ele mencionou que Itamar Ben-Gvir, cujo reduto eleitoral são os colonos judeus, e Israel Katz, com apelo político ultraconservador, além de Bezalel Smotrich, líder dos colonos da Cisjordânia, contribuem para esse tipo de discurso.
O analista ressaltou ainda a gravidade da situação humanitária em Gaza. “Os palestinos não têm para onde ir, eles estão no território deles, e Israel tem bombardeado e causado o máximo de crise humanitária que consegue na Faixa de Gaza, impedindo a entrada de alimentos, medicamentos, de água, impedindo a reconstrução”, disse.
Lourival Sant’Anna concluiu que, apesar das pressões, os palestinos não devem deixar o território, pois “lá é o lugar deles realmente”, e aguarda as eleições do dia 27 de outubro para verificar se um novo governo israelense adotará uma visão diferente da atual.









