Os Estados Unidos planejam iniciar operações militares terrestres contra narcotraficantes na América Latina, conforme anunciou Pete Hegseth na quarta-feira (12). A analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta ao CNN 360°.
A medida, segundo analistas, representa uma sinalização de que Washington pretende ampliar sua presença e testar os limites de suas ações em território internacional.
De acordo com as informações divulgadas, as operações devem seguir o modelo de ataques já realizados pelas forças americanas contra embarcações suspeitas de transportar drogas pelo Oceano Pacífico.
Consentimento como ponto central do debate
Fernanda Magnotta, analista de Internacional da CNN, destacou que o elemento central para avaliar a natureza dessas operações é o consentimento dos países envolvidos.
“Ações dessa natureza praticadas em parceria dos Estados Unidos contra países da região representariam um cenário” de cooperação, como já ocorreu em iniciativas anteriores, como o Plano Colômbia e a Iniciativa Mérida, no caso do México.
Por outro lado, ações unilaterais, sem a anuência dos países, afetariam diretamente a soberania territorial e colocariam os EUA em rota de colisão com as nações da região.
Magnotta ressaltou que, embora ainda não esteja claro se as operações serão realizadas com ou sem consentimento, o que Washington sinaliza é a intenção de “ampliar e empurrar essa fronteira, essa zona cinzenta entre as duas coisas, até o limite”.
A analista situou esse movimento dentro de um contexto mais amplo de aumento da presença americana na região, que inclui também iniciativas de ataques cibernéticos, as quais desafiam o próprio enquadramento jurídico internacional.
Riscos políticos e doutrina de projeção de força
Além das implicações jurídicas, Magnotta alertou para os riscos políticos internos que essa estratégia pode gerar nos países da América Latina.
Segundo ela, os Estados Unidos poderiam utilizar a narrativa do combate ao narcotráfico para colocar lideranças oposicionistas em posição constrangedora: “quem vai dizer que não quer ajuda para combater o crime?”, questionou a analista, sugerindo que recusar a cooperação pode fazer governos parecerem coniventes com o crime.
Para Magnotta, as perguntas fundamentais que precisam ser respondidas são: onde, contra quem e, sobretudo, com autorização de quem essas operações seriam realizadas.
Esses três elementos determinarão se o que está em curso é uma mera intensificação da cooperação antidrogas — algo que já existiu anteriormente — ou o estabelecimento de uma nova doutrina americana de projeção de força na região, usando o narcotráfico como pretexto de segurança nacional.










